Por que as pessoas se matam? Veja os sinais

Tratar o assunto de forma direta e sem preconceitos, é uma das formas mais indicadas para combater o suicídio. A afirmação é do psiquiatra Domingos Timóteo de Jesus Ferreira, que apontou os principais pontos de como identificar que alguém está prestes a cometer suicídio.

De acordo com o especialista, a maioria dos casos está relacionado a algum transtorno mental. Ele considera que existem outras questões que influenciam o desejo de morte como o estresse da vida moderna, o consumismo e problemas de relacionamento que fomentam o desejo a morte, porém, ele destacou que os estudos direcionados ao assunto mostram que a maior parte dos suicídios está sim relacionada ao transtorno mental ou a depressão.

O psiquiatra afirmou que é preciso ficar atento aos sinais, pois, de acordo com ele, todas as pessoas que tentam tirar a própria vida dão esses sinais como uma espécie de pedido de ajuda. “É preciso identificar alterações de comportamento e isolamento, pessoas que antes interagiam mais, agora ficam mais isoladas. Frases do tipo: ‘tenho vontade de sumir’, ‘quero ir embora e não voltar’, ‘quero dormir e não acordar’. As pessoas vão dar sinais, por isso, é preciso ser mais atencioso a isso”, explicou, ao ressaltar que uma das melhores maneiras de prevenção é identificando ou até suspeitar de qualquer possibilidade suicida, além de oferecer ajuda especializada.

“Para atender esses casos pode ser um psiquiatra ou um psicólogo. O primeiro profissional da área ‘psi’ vai fazer uma avaliação e indicar o melhor especialista para cada questão. Mas, o importante é ir até um especialista. É valido, inclusive, se oferecer para ir acompanhar um amigo em uma consulta para ele se sentir amparado”, disse.

Tabu

Ferreira aponta que ainda existe um tabu muito grande a respeito do assunto na sociedade de um modo geral, pois, o suicídio está relacionado diretamente à morte e a morte é um assunto que causa espanto. “É um assunto que as pessoas não querem estar relacionadas”.

O especialista explica que essa questão do tabu pode atrapalhar no atendimento às pessoas que estão pensando em suicídio. Ele disse que é fundamental que o assunto seja conversado de forma aberta, clara, de maneira acolhedora e sem preconceitos.

“Muitos profissionais da área da saúde têm dificuldades de falar do assunto de forma direta, pois ainda existe o mito de que se falar vai agravar o problema estimulando o suicídio. É preciso abrir a questão de maneira lucida. Esse é o caminho. Estudos mostram que as pessoas dão alguns sinais antes da tentativa suicida. É preciso observar e conversar abertamente”, destacou.

Ele ressaltou que é importante que todos os profissionais da área de saúde estejam preparados para dar todo o amparo necessário para alguém com pensamento suicida, pois isso exige um acompanhamento amplo de todas as áreas da saúde do ser humano que vai desde o acompanhamento psicológico até o estético.

O pensamento suicida nas diversas personalidades

O psiquiatra conta que, as vezes o pensamento suicida não é só identificado apenas pelo humor triste, mas pode ser percebido naquelas pessoas que sempre estão irritadas, chateadas, e são briguentas.

Suicídio em diversas idades   

Terceira idade

Nesse período da vida, o psiquiatra explica que a inclinação ao suicídio é geralmente ocasionada por um quadro depressivo por causa das limitações do corpo, por sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), diabetes crônicas e outras doenças, além das limitações impostas pela própria idade.

Adultos jovens

De acordo com o especialista, nos jovens adultos o que pode levar ao suicídio é o estresse pela competitividade do dia a dia, tanto no trabalho quanto em outras áreas da vida, como relacionamento, família e vida financeira.

O psiquiatra afirma que essa é a fase em que as pessoas são mais afligidas pela depressão e a ideação suicida. Segundo ele, as mulheres são as que mais tentam o suicídio, porém, os homens tentam menos, mas são mais efetivos. “O perfil mais frequente do suicídio é o homem, adulto jovem e solteiro, pois a pressão social com esse perfil é maior”, disse.

Crianças e adolescentes  

Domingos Timóteo, considera essa, uma das fases mais difíceis da vida. De acordo com ele, é nesse período que a pessoa tem muita pressão em relação ao desempenho escolar, autodescobrimento, além das demandas de vida e as descobertas da sexualidade. “Tudo isso pode tornar a caminhada muito difícil e desenvolver um transtorno ansioso depressivo e a ideação suicida em crianças e adolescentes”, pontuou.

Proteção

O especialista afirmou que existem fatores que podem ser protetores, como ter um relacionamento estável e também ter uma pratica de espiritualidade e religiosidade.

Por Asafe Augusto