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Por trás daqueles muros nosso povo é tratado como escravo

O Ministério Público do Trabalho entrou com ação contra a empresa Samsung pelas “más condições” de trabalho impostas aos seus funcionários. O MPT alega “danos morais coletivos” e cobra uma indenização de R$ 250 milhões. Só que, aquilo que o MPT denomina de “más condições” de trabalho poderia ser chamado facilmente de escravidão. E tem mais, denominar de “danos morais” os casos de abuso físico desses trabalhadores identificados através de fiscalização feita na fábrica da Samsung, é no mínimo absurdo – olha que eu nem vou dizer o palavrão que me veio a mente. Imagina que um dos trabalhadores da fábrica deu depoimento aos promotores e disse que trabalha até dez horas em pé. Tem dois intervalos de 10 minutos por dia e “quando esses 10 minutos são ultrapassados, há cobranças por parte dos líderes – função que eu não sabia que parecia tanto com capataz de fazenda de escravo.
Um outro trabalhador, contou que revisa cerca de 2 mil celulares por dia, e outro afirmou que embala 2,7 mil aparelhos por dia. Esse excesso de trabalho, tá na cara, que é para o empresário não contratar mais funcionários, sendo assim um só empregado tem que fazer o trabalho de vários. E, enquanto os empresários do Distrito vão ficando cada vez mais ricos, nosso povo operário ganha um mísero salário, sob condições sub-humanas.

E quem vai pagar?

E o procurador Ilan Souza, que ajuizou a ação, disse à BBC Brasil que “foi constatada uma jornada de trabalho muito extenuante” na fábrica e que os problemas já haviam sido detectados em 2011, mas não foram solucionados. Por que não foram solucionados? É por que era a toda poderosa Samsung? E passados quase dois anos é que o MPT vem verificar que as irregularidades não foram sanadas? E quem vai pagar pelos problemas físicos que têm essas pessoas e que foi agravado pela lentidão dos órgãos de fiscalização?

Lembrando Chaplin

E pra ilustrar a o “ritmo acelerado de trabalho”, identificado pelos promotores do MPT durante a inspeção, há até uma tabela compilada pela procuradoria, comparando-o ao do filme Tempos Modernos (1936), de Charles Chaplin, em que o protagonista sofre um colapso nervoso por trabalhar jornadas exaustivas em uma fábrica. Só que neste caso, infelizmente, estamos na vida real.

Segundos

Para montar uma televisão na fábrica da Samsung, o funcionário dispõe de apenas 65 segundos, diz a ação do MPT. O próximo funcionário da linha de montagem tem então 4,8 segundos para colocar o aparelho na caixa. A montagem de um celular leva apenas 32,7 segundos e a de um smartphone requer pouco menos de dois minutos. Em um dia, os trabalhadores fazem três vezes mais movimentos repetitivos por minuto do que o limite estipulado para evitar problemas causados por LER (lesões por esforço repetitivo). E ficam com sequelas pra toda a vida, em quanto a Samsung obteve lucro líquido recorde de cerca de US$ 7 bilhões, em apenas três meses, e superou o desempenho financeiro da concorrente Apple. Esse é o preço da nossa escravidão!