Por você, vou falar de flores e de amores…

Hoje, dia 10 de julho de 2019, meu mundo está sem graça, menos inteligente, menos sagaz, menos verdadeiro…menos tudo. Me encontro parada, olhando pro computador, sem palavras. Já tinha começado um texto que ia ser postado na coluna “Na mira do Radar”, intitulado “Queria tanto escrever sobre flores e amores!”. Um texto em tom de cinza, meio pra baixo, sobre querer falar de coisas boas e alegres e ter espírito de porco que não deixa! Que insiste em soltar uma verborragia de merda! – desculpem pela expressão chula, mas dessa vez não vai dar pra substituir “merda” por outro sinônimo.

Mas, de repente, veio a notícia através da mensagem de um amigo pelo WhatsApp, da morte do jornalista – na expressão e na dimensão da palavra jornalista – Paulo Henrique Amorim. E agora acho que vocês entenderam porquê disse, no início do texto, que fiquei estatelada na frente do computador, vendo o mundo menos um pouco de tudo, daquilo que é bom. Esse cara tinha aquilo que me dá orgulho de ser jornalista, a verdade como bandeira, a palavra como escudo e a caneta como arma!

E, num daqueles acasos da vida que nem parecem por acaso, o texto que estava escrevendo, antes, tinha tudo a ver com Paulo Henrique Amorim e com aqueles aos quais ele tanto abominava, gente que insiste em fazer esse País mais pobre de tudo, principalmente, de justiça social. Gente que tem a mentira como bandeira, a truculência como escudo e intolerância como arma.

Gente como o presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, a quem Paulo Henrique Amorim era um dos mais ferrenhos críticos – na minha opinião, com toda razão! – que insiste em abrir a boca para se vangloriar de coisas do tipo ter sido um trabalhador infantil – se é mais um dos fakes do Boso não me perguntem porque ainda não sei!

Só sei que, mesmo que fosse verdade, não dá pra se vangloriar disso, o trabalho infantil deveria ser uma vergonha pra esse País, destrói a infância e os sonhos das nossas crianças, expõe meninos e meninas a violência, inclusive sexual, nas ruas e sinais das cidades. Faz dessas crianças adultos muitas vezes infelizes, marcados na alma pela infância não vivida – um desses infelizes que faz piadas de merda – desculpe de novo pela expressão! – te lembra quem, meu povo?

Esse era o texto que estava escrevendo, fruto de nova verborragia do presidente da maioria dos brasileiros – #elenemmorta – e que estava a cara do meu ídolo Paulo Henrique Amorim, alguém que me contava histórias do Brasil que muitos fazem questão de esconder porque querem que o povo viva na mentira, que demonstrava toda sua intelectualidade de uma maneira simples, ao alcance de todos, e que mesmo numa conversa pra lá de séria, me fazia sorrir com seu jeito peculiar de falar e seu sarcasmo próprio de seres com inteligência afiada.

O verbo na boca de Paulo Henrique Amorim provocavam a cólera dos adoradores de golpistas, mitos e xerifes de mentirinha, mas só fazia eu querer mandar flores e ficar como qualquer tiete, com o coração cheio de amor!

Meu ídolo pode nem ter sabido que eu existia, uma repórter cabocla aqui desse extremo do País, mas pra mim ele sempre será eterno! Parafraseando um de seus bordões, “boa noite e boa sorte” Paulo, quem sabe um dia teremos uma conversa afiada ai por cima!