Pra quê o povo nos escolheu? questiona Wilson Lima na Aleam. O Radar responde!

Foto Mesa Diretora Reprodução Aleam /

Para tentar dissuadir os deputados da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) a deixar no “arquivo morto” os vários pedidos de impeachment contra ele – já perdi as contas de quantos são –, o governador Wilson Lima (PSC) fez um discurso milimetricamente calculado, carregado de humildade, elogios e apelos de união. Mas, como muitos outros políticos, Wilson Lima “escorregou” nas próprias palavras e esqueceu que, como diz o ditado, “pra quem sabe ler, pingo é letra”.

Nas entrelinhas, o governador disse aos deputados que num é o momento de se falar em impeachment. “O momento é de mostrar pra quê nós fomos eleitos? Pra quê o povo nos escolheu?”, questionou Wilson Lima, fazendo com que qualquer um, com um mínimo de inteligência e perspicácia, raciocinasse naquele mesmo momento, que Wilson Lima deveria já ter mostrado diversas vezes pra quê o povo o elegeu.

Com certeza o povo não o escolheu achando que ele iria deixar faltar oxigênio em unidades de saúde e nem acharia que em meio a pandemia, ao invés de gastar milhões com uma UTI Aérea pra socorrer os irmãos do interior do Estado, ele iria querer gastar R$ 9,3 milhões com um jatinho para uso do seu gabinete.

Com certeza o povo jamais pensou que o Governo de Wilson Lima iria comprar ventiladores pulmonares que nem servem para os casos de Covid-19, com preços superfaturados, numa loja de vinho. E nem imaginou que enquanto faltam leitos de UTI nos hospitais e até coisas básicas como luvas e máscaras para profissionais de saúde, seriam repassados dos cofres públicos do Estado, mais de R$ 74 milhões para uma tal de Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), em pleno ano de pandemia, em que todas as atividades culturais foram suspensas.

Não dá pra listar num só texto tantos momentos em que Wilson Lima deveria ter lembrado para quê o povo do Amazonas o elegeu. Mas, ao contrário de fazer isso, Wilson Lima veio lembrar – só acreditei porque estava vendo – de sua eleição em 2018 quando derrotou o então governador Amazonino Mendes (Podemos).

“O ano de 2018 foi muito simbólico. Os cidadãos foram às urnas dizer que queriam esquecer o modelo que vinha sendo praticado até aquele ano. Foram pelo menos três décadas…”, relembrou Wilson Lima ainda se achando no direito de esculachar o adversário político.

Parece não saber que o povo faz questão de esquecer seu governo e olha que ele só tem dois anos no Poder.