Preço dos combustíveis gera debate entre deputados na Assembleia Legislativa

De acordo com o IBGE, em 2021, o preço dos combustíveis sofreu nove reajustes

Foto: Aleam

Na sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) desta quinta-feira (19), o elevado custo dos combustíveis no estado gerou um debate entre os deputados Sinésio Campos (PT), Delegado Péricles (PSL) e Serafim Corrêa (PSB).

O assunto entrou em discussão durante o pronunciamento de Sinésio, que comentou sobre as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que em visita à capital amazonense, alegou que o preço do combustível e do gás de cozinha é de responsabilidade do governo do estado.

“Algo extremamente vergonhoso, atribuindo o preço da gasolina e do gás, aos estados, como fez lá atras, quando atribuiu a morte de mais de 600 mil brasileiros de Covid-19 e jogou responsabilidade aos prefeitos e governadores agora vem falando exatamente que o preço dos combustíveis e do gás é responsabilidade das prefeituras”, afirmou Sinésio.

O parlamentar ainda fez um comparativo com preço dos combustíveis durante a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff.

“No governo Dilma, a gasolina custava R$ 2,69, agora está a R$ 5,79. Esse ministro da fazenda com essa duplinha do Bozo está extremamente perfeito. Eu não sei onde é que estão as motociatas, se eles circulam a água. O Etanol de R$ 1,89 foi para R$ 4,89. O Diesel que custava em 2016, R$ 2,09 está R$ 4,00. O gás de cozinha aqui em Manaus custava R$ 55,60 ontem eu comprei para minha casa no São José a R$ 110,00 uma botija de 13 kilos e no interior já deve estar chegando a R$ 200”, ressaltou o parlamentar.

Ao perceber que seu discurso incomodou o deputado bolsonarista Delegado Péricles, Sinésio convidou o colega para debater o assunto. “Vai pra lá [tribuna] Péricles, vem pro fight”, disse.

O delegado então usou a tribuna para defender governo federal e atribuir o atual custo do combustível aos governos estaduais.

“Ele [Bolsonaro] citou inclusive que o valor que sai da refinaria é R$ 1,95 e o que encarece realmente é o ICMS dos estados que é calculado em cima do valor final dos combustíveis. Outra situação é em relação ao gás de cozinha, esse preço que está foi dito ontem e digo novamente, o imposto federal está zerado, o que é cobrado são outros impostos estaduais em relação ao gás de cozinha. E aqui faço uma apelo ao governo do estado para reduzir a alíquota do combustível e do gás de cozinha. O Governo Federal vem fazendo sua parte, zerando e reduzindo impostos e agora quem tem que fazer alguma coisa é o governo do estado do Amazonas” Afirmou o deputado bolsonarista.

O deputado e economista Serafim Corrêa (PSB) pediu para participar do debate e afirmou que o preço dos produtos é de responsabilidade conjunta, dos estados, da união e da Petrobras.

“Eu entendo que o ICMS poderia ser reduzido de 25% para 18%, mas é claro que tudo isso tem como base de cálculo o preço da Petrobras que a partir de determinado momento priorizou o seus acionistas e estabeleceu que o preço tem que ter com base o preço internacional. Quando isso aconteceu, o lucro da Petrobras foi lá pra cima, deu R$ 52 bilhões agora no último semestre e isso pesa também. Eu creio que todos e não tem meio termo – não pode ser só o governo do estado, tem que ser um acordo de todos governadores no CONFAZ [Conselho Nacional de Política Fazendária]. A Petrobras tem que entender que é do povo brasileiro. Ela é dos acionistas, mas o maior acionista dela é o governo federal e como tal é do povo brasileiro.”, defendeu o parlamentar.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o litro da gasolina subiu nove vezes neste ano e acumula alta de 27,5%, e de 37% nos últimos 12 meses. No Amazonas, o preço médio do combustível já ultrapassa R$ 6,00.