Prefeita de Coari gastará quase R$2 milhões na “urbanização” de um ramal

Foto: ilustrativa/prefeitura de Coari

A prefeita de Coari, conhecida popularmente como Irmã Dulce (MDB), gastará quase dois milhões na “urbanização” de um ramal que dá acesso à Guarabira, uma comunidade do município. A estranheza fica por conta do valor contratado já que o Radar descobriu que o ramal possui algo em torno de 2kms, o que significa que Irmã Dulce vai pagar 100 mil por cada 100 metros de ramal.  A informação consta em um despacho de homologação (aprovação do procedimento), publicado no Diário Oficial dos Municípios nesta segunda-feira (05). (Confira o documento no fim da matéria)

Os “serviços de urbanização do ramal de acesso à comunidade do Guarabira” serão realizados pela empresa I F Engenharia EPP, inscrita no CNPJ n°21.921.392/0001-00. Localizada no bairro Adrianópolis, em Manaus, a empresa é administrada por Candido Igor Tavares.

O  documento assinado pela prefeita Maria Ducirene da Cruz e que prevê o gasto de R$1.987.251,51 (Um milhão, novecentos e oitenta e sete mil, duzentos e cinquenta e um reais e cinquenta e um centavos) dos cofres públicos de Coari não especifica como será realizada esta obra. A extensão do “vicinal” (ramal), assim como o início das obras, não foram informados no despacho.

Por conta da falta de informações, o Radar procurou a assessoria de comunicação da prefeitura de Coari através de e-mails com o endereço adquirido em uma das redes sociais da prefeitura mas até a publicação desta matéria a reportagem não obteve respostas.

Contratos milionários e órgãos de controle

Essa não é a primeira vez que Irmã Dulce realiza contratos que chamam atenção. Conforme tem sido noticiado pelo Radar, a tia do ex-prefeito Aldair Filho, prefeita Maria Ducirene já gastou R$1,3 milhão só em aditivo para a construção de uma praça e mais R$5 milhões na compra de combustíveis.

Os órgãos de controle também estão atentos aos gastos.

No dia 11 junho, o presidente do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), conselheiro Mario de Melo admitiu duas representações contra a prefeita a fim de realizar investigações de contratos realizados por ela.

Além disso, ela também é alvo de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) por improbidade administrativa. A medida visa verificar se houve interesse eleitoral decorrente da ampliação do programa do município chamado “Direito a Cidadania”, que teve um aumento do número de beneficiados e dos valores concedidos.

Confira o despacho na íntegra