Prefeito de Atalaia do Norte investigado por corrupção foi afastado pela Câmara

O prefeito do município de Atalaia do Norte, Nonato Tenazor, foi afastado do cargo acusado de tentar obstruir os trabalhos da Comissão Especial de Inquérito que investiga possíveis práticas de improbidade administrativa cometidas por ele. As denúncias contra o prefeito foram feitas pelo vereador indígena César Nakua Mayuruna (PSL). Por dois votos a um, a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Atalaia do Norte decidiu que o prefeito tem que se afastar do cargo até o dia 14 de junho.

Segundo o vereador Lourenço da Silva Ribeiro (PSD), presidente da Comissão, o pedido de afastamento foi oferecido ao plenário da Câmara por César devido a pressões do prefeito com o propósito de abortar as investigações. O afastamento ocorreu nessa quarta-feira (9). “Ele tentou obstruir de todas as formas as atividades da CEI, presidida por mim e integrada pelos vereadores Gilson Mayuruna, relator, e Marke Turu, secretário, o prefeito estava coagindo até o presidente da Câmara, vereador Adelson Saldanha, o Curá”, disse Lourenço.

Conforme o parlamentar, conhecido como Lory, o afastamento de Tenazor já foi publicado no Diário Oficial do município e em seu lugar assume o vice-prefeito Deizimar Freitas Rodrigues. “Acreditamos que agora a Comissão terá mais paz para levar em frente as suas ações investigatórias”, afirmou Lourenço, observando que o prefeito ficará fora do cargo até o término dos trabalhos da CEI previsto para ocorrer em 14 de junho.

A Comissão Especial investiga supostos atos de corrupção de Nonato Tenazor envolvendo a construção de 14 salas de aulas em diferentes escolas de comunidades rurais de Atalaia do Norte no valor de R$ 2,1 milhões e a ampliação de um posto de saúde avaliado em R$ 245,5 milhões. Em setembro de 2017, os vereadores Cesar Mayuruna e Lourenço da Silva protocolaram denúncia de improbidade administrativa contra Tenazor (PDT) também no Ministério Público do Amazonas (MP-AM) e na esfera do Ministério Público Federal (MPF) por suposto desvio de recursos da ordem de R$ 2 milhões provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) destinados à construção de salas de aulas de alvenaria em uma escola de Atalaia do Norte.