Prefeito de Tonantins gasta quase R$11 milhões na compra de materiais de construção sem informar obra

Foto: divulgação

O prefeito de Tonantins (a 863 km da capital), Francisco Sales de Oliveira (Republicanos) gastará quase R$ 11 milhões na compra de materiais de construção como cimento e areia sem especificar que tipo de construção será feita. O valor consta em um “despacho de adjudicação”, publicado no Diário Oficial Eletrônico dos Municípios nessa quarta-feira (26). (Confira o documento no fim da matéria)

O alto custo do contrato se dá ao mesmo tempo, em que o município passa pelo período das cheias e lida com a situação pandêmica causada pelo coronavírus.

A grande quantia de R$10.919.845,00, será paga a empresa Alysson da Costa Leão EPP, inscrita no CNPJ Nº 30.658.649/0001-65. Em investigações realizadas pelo Radar no site da Receita Federal, foi descoberto que a empresa é daquelas que “faz tudo”, visto que ela registra como atividade principal “comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios- minimercados, mercearias e armazéns” e secundárias como “comércio varejista de brinquedos” e até “casas de chá”.

Além disso, a empresa, cujo capital social (dinheiro investido) é de R$200mil, também não informa o seu quadro de sócios.

Informações da Receita Federal

Nesse sentido, a reportagem procurou a prefeitura de Tonantins através de e-mails (disponibilizados no site institucional) questionando quais tipos de obras seriam realizadas, e suas respectivas complexidades, que justificassem o alto custo do contrato que prevê “aquisição de areia, seixo, tijolo, cimento, ferro e telha de zinco”.

Entretanto, até a publicação desta matéria não obtivemos respostas.

“Calote” e nepotismo 

Esta não é a primeira vez que Francisco Sales de Oliveira tem atividades suspeitas noticiadas pelo Radar. Em março deste ano, ele foi alvo de uma recomendação do Ministério Público do Amazonas (MPAM) após denúncias de falta pagamento de salários dos últimos meses de 2020, incluído o 13º.

Além disso, a filha dele, Karina de Souza Oliveira, foi exonerada do cargo de secretária de finanças após ser constatado que ela não possuía qualificação para exercer o cargo e por isso, se tratava de um caso de nepotismo.

Confira na íntegra:

 atividades da empresa

“despacho de adjudicação”