Prefeitos do interior em protesto prometem parar atividades básicas em seus municípios onde já faz tempo que nada funciona

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Vocês lembram daquele prefeito que chegou a ser preso em flagrante pela Polícia Federal por desvio de recursos federais, acusado de usar verbas do Fundeb para pagar a empregada doméstica de sua residência? – mas que depois foi solto e ninguém nunca mais nem ouviu falar no assunto. Aquele que foi alvo da “Operação Rancho” acusado de distribuir cestas básicas em troca de votos para o candidato à reeleição professor José Melo, de quem ele era coordenador político no interior? É esse mesmo, meu povo, o prefeito Iran Lima de Boca do Acre, presidente da Associação Amazonense dos Municípios (AAM).

Pois, imaginem, que ele e mais 50 prefeitos do interior do Estado estão prometendo uma paralisação das atividades municipais básicas, no próximo dia 30, em protesto pela situação caótica dos municípios, segundo eles, consequente do aumento de obrigações impostas pelo Governo Federal aos gestores, paralelo a diminuição do repasse de recursos. Mas, o Radar pergunta – sei que nosso leitor está morrendo de vontade de perguntar também – paralisar o quê mesmo, hein? Se no interior, na grande maioria dos municípios, nem atividades essenciais como as da saúde e educação não funcionam. Um desses municípios é exatamente Boca do Acre, do dito cujo presidente da AAM.  

Esses mesmos prefeitos, cantando a conhecida música de autoria do prefeito de Manaus “A culpa é da Dilma!” vão chorar horrores ao participar da reunião da Confederação Nacional de Municípios (CNM) com a presidente Dilma Roussef, nesta quinta-feira, dia 22, às 9h, com todos os presidentes das Associações de Municípios do País.

E, pasme meu povo, que uma das principais reclamações de Iran Lima e dos prefeitos que o acompanham dizem respeito aos recursos do Fundeb que vários deles – igualzinho ao Iran Lima – são acusados de desviar. Segundo eles, um dos fatores mais representativos desse aumento da despesa das prefeituras foi a criação do Piso Nacional do Magistério Público, que eles dizem reconhecer como justíssimo. “De 2010 até 2015, o piso passou de R$ 1.024,00 para R$ 1.917,78, um aumento de 87,9%, sem a devida compatibilidade com o aumento desses recursos específicos, corrigidos para uma inflação no período de 35,3% (pelo índice oficial INPC)”.

Eles apontam também o caso do salário mínimo, que aumentou 54,51%, enquanto o Fundeb, que é a fonte de recursos para o pagamento do Piso, cresceu tão-somente 59% no mesmo período. Mas, exatamente por causa dessas dificuldades será que dava pra usar o dinheiro do Fundeb para a educação, ao invés de pagar a empregada, o tio, o sobrinho, o gato, o cachorro e o papagaio…? (Any Margareth)