Prefeitos eleitos registram receita 60% maior que os candidatos derrotados

Foto: Divulgação/TSE

A eleição de 2020 volta a repetir um padrão no Brasil, mesmo com o fim das doações de empresas. Candidatos a prefeito com mais recursos financeiros tiveram muito mais sucesso nas urnas. Um levantamento feito pelo G1, com base nos dados dos resultados da apuração e das doações obtidas pelos candidatos, mostra que, em média, os eleitos tiveram um aporte 60% maior de recursos dos partidos e de pessoas físicas.

Para o professor do IBMEC e da Fundação Dom Cabral Bruno Carazza, o comparativo demonstra o impacto do dinheiro no financiamento das campanhas. “Os dados reforçam a hipótese de que, mesmo com o fim das doações de grandes empresas e a onda das campanhas nas redes sociais, o acesso ao dinheiro continua sendo um elemento central na competição eleitoral no Brasil”, observa Carazza, autor do livro “Dinheiro, eleições e poder”, no qual se debruçou sobre os efeitos do poder econômico sobre a política.

A eleição de 2020 volta a repetir um padrão no Brasil, mesmo com o fim das doações de empresas. Candidatos a prefeito com mais recursos financeiros tiveram muito mais sucesso nas urnas. Um levantamento feito pelo G1, com base nos dados dos resultados da apuração e das doações obtidas pelos candidatos, mostra que, em média, os eleitos tiveram um aporte 60% maior de recursos dos partidos e de pessoas físicas.

Para o professor do IBMEC e da Fundação Dom Cabral Bruno Carazza, o comparativo demonstra o impacto do dinheiro no financiamento das campanhas. “Os dados reforçam a hipótese de que, mesmo com o fim das doações de grandes empresas e a onda das campanhas nas redes sociais, o acesso ao dinheiro continua sendo um elemento central na competição eleitoral no Brasil”, observa Carazza, autor do livro “Dinheiro, eleições e poder”, no qual se debruçou sobre os efeitos do poder econômico sobre a política.

Para o professor do IBMEC, a decisão do STF de proibir doações de grandes empresas mudou o panorama do financiamento de campanha e das eleições no Brasil. Com o controle do Fundo Eleitoral nas mãos da cúpula dos partidos, candidatos com mais acesso a esse grupo tendem a se beneficiar com mais financiamento.

“Até 2015, as grandes empresas faziam aportes milionários em candidatos, buscando com isso exercer influência sobre o seu governo caso fossem eleitos. Com a criação do Fundo Eleitoral e a ampliação do Fundo Partidário, a legislação garante um volume considerável de recursos (mais de R$ 8 bilhões no ciclo eleitoral de 2019 a 2022) para os dirigentes partidários, que têm ampla liberdade para distribuir esse dinheiro entre os candidatos. Nesse cenário, quem tem mais proximidade com os ‘caciques’ dos partidos tende a receber um quinhão maior – e, assim, aumentam suas chances de serem eleitos”, diz Carazza.

Candidaturas de reeleição
Outro dado que chama atenção é o comparativo entre a receita dos eleitos e não eleitos considerando se o candidato a prefeito concorria ou não à reeleição. Novamente, aqueles que tiveram mais recursos foram os eleitos. Mas a diferença entre os eleitos em situação ou não de reeleição tende a desaparecer. Ou seja, os dados sugerem que o dinheiro pode fazer diferença para aqueles candidatos que precisam enfrentar prefeitos que desejam mais quatro anos de mandato.

Carazza destaca, no entanto, outro ponto. Para ele, chama atenção a maior média de receita dos candidatos que concorriam à reeleição e não foram eleitos, quando comparados aos que não concorriam e perderam, um sinal, segundo ele, da força de quem está no cargo para obter mais recursos de campanha. Na média geral de todos os candidatos a prefeitos, os não eleitos receberam pouco mais de R$ 30 mil, já os não eleitos mas que estavam em situação de reeleição alcançaram R$ 48,9 mil.