Prefeitura começa a vacinar meninos contra o HPV

Depois de aplicar 194.729 doses em meninas da vacina contra o HPV – sigla em inglês para o Papiloma Vírus Humano, maior causador de câncer do colo uterino entre as mulheres -, agora chegou a vez de imunizar os meninos com idade entre 12 e 13 anos. Nesta quarta-feira, 4, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, e o secretário municipal de Saúde (Semsa), Homero de Miranda Leão, abriram oficialmente o início da vacinação em todas as 182 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) com salas de vacina da capital. A largada da ação aconteceu na UBS Fatima Andrade, na Cidade Nova, zona Norte.

“Nossa meta, inicialmente, é vacinar quase 40 mil meninos nessa faixa-etária e no futuro garantirmos uma geração livre dessa doença devastadora que é o câncer peniano e o câncer do colo do útero nas meninas”, afirmou o prefeito. “Já saímos na frente, em 2013, quando Manaus foi a primeira capital do País a vacinar as meninas contra o HPV e com recursos próprios. Desta vez, o Ministério da Saúde está fornecendo as vacinas e a prefeitura entra com a logística necessária”, concluiu.

“Esta mesma vacina, na rede privada, custa R$ 400, cada uma das três doses. Pela prefeitura, ela é feita em duas doses e é totalmente grátis. Sem dúvida, é uma conquista significativa que o prefeito Arthur Neto oferece ao povo manauara”, acrescentou o vice-prefeito Marcos Rotta.

De acordo com o secretário Homero de Miranda Leão, Manaus já conta com estoque de vacinas e deu início à imunização em pré-adolescentes, porque protege contra vários tipos de câncer. “A vacina imuniza contra o câncer de boca, orofaringe e verrugas genitais em ambos os sexos. Além disso, os homens são responsáveis pela transmissão do vírus para suas parceiras e por isso é tão importante se iniciar a vacina antes que esses jovens iniciem sua vida sexual”, destacou.

A vacinação do HPV foi introduzida de forma gradual na rede pública, tendo nos anos de 2013 e 2014 como população alvo as meninas de 11 a 13 anos de idade. Em 2015 foram incluídas as meninas de 9 a 11 anos de idade e, a partir de 2016, a vacina está disponível para as meninas de 9 a 13 anos de idade.

Tipos

O HPV é um vírus que apresenta mais de 120 genótipos diferentes, sendo 12 deles considerados oncogênicos (que levam ao desenvolvimento do câncer) pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (AIRC).

Os tipos de HPV de alto risco oncogênicos são detectados em 99% dos cânceres cervicais sendo os mais comuns os HPVs 16 e 18, que juntos são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero. Contudo, o HPV 16 sozinho é a causa de aproximadamente 50% dos casos de câncer do colo do útero em todo o mundo, sendo que o HPV 6 e 11 estão associados a até 90% das verrugas anogenitais. No Brasil, o perfil de prevalência de HPV é semelhante ao global, sendo 53,2% para HPV 16 e 15,8% para HPV 18.

Além do câncer do colo do útero, acredita-se que o vírus do HPV, associado a outros fatores, é responsável por 90% dos casos de câncer anal, 40% de câncer de vulva, de vagina e de pênis, e menor ou igual a 12% nos casos de câncer de orofaringe.

Transmissão

O HPV é transmitido por contato direto com uma pessoa infectada, sendo que a principal forma de transmissão é por via sexual, que inclui contato oral-genital, genital-genital ou mesmo manual-genital. Estudos realizados em infecções pelo HPV recém-adquiridas mostram que os mesmos ocorreram logo após o início da vida sexual, sendo que 10,4% das infecções é pelo HPV tipo 16, um dos mais oncogênicos.

A vacina papiloma vírus humano 6, 11, 16 e 18 (recombinante) – Vacina HPV Quadrivalente – foi introduzida no calendário nacional de vacinação do ministério da saúde como uma estratégia de saúde pública, com o objetivo de reforçar as atuais ações de prevenção do câncer do colo do útero. A vacinação, conjuntamente com as atuais ações para o rastreamento do câncer do colo do útero, possibilitará prevenir a doença nas próximas décadas.

Texto: Semcom 

Fotos: Alex Pazuello