Prefeitura de Artur Neto pretende fechar escolas, a exemplo do que fez no ano passado, na surdina

Fechamento de escolas da prefeitura Solda

Ao que tudo leva a crer, após o Radar ir às ruas averiguar denúncia feita por pais de alunos da rede municipal de ensino, a Prefeitura de Manaus – ler administração do prefeito Artur Neto – vem desativando, desde o ano passado, escolas que funcionam em prédios alugados sob a alegação de “corte nos gastos públicos por conta da crise econômica” – sinônimo do que o prefeito diz repetidamente: “A culpa é da Dilma!”. Essa justificativa de redução nos gastos da Prefeitura teria sido dada a dona de casa Glaucia Cavalcante para que seu filho de seis anos de idade não possa, após o término da educação infantil, cursar o ensino fundamental na escola Loris Cordovil, na rua Dr. Machado, porque o colégio vai ser desativado, já que a Prefeitura de Manaus “não vai renovar o contrato de aluguel”.

Essa explicação, segundo Glaucia, teria sido dada pela direção do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Marcio Souza, onde seu filho estuda. “Me disseram que só tenho duas outras opções de escolas que ficam muito longe da minha casa. Estou sem saber o que fazer. Faço diárias pra ganhar o sustento da minha família. Minhas duas filhas de 11 e 13 anos é que, antes de ir para a escola, vão deixar o irmão pequeno no colégio. Assim como eu, tem mães na mesma situação. Estão colocando a segurança dos nossos filhos em risco. Isso é uma vergonha!”, desabafa Glaucia.

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A exemplo de Gláucia, o Radar recebe em seu WhatsApp uma mensagem que foi postada no Facebook por outra mãe indignada. “#Revoltada com esse prefeito…simplesmente vai fechar todas as escolas da Prefeitura inclusive o Lóris Cordovil situado na Praça 14 onde estudam mais de 300 crianças inclusive minha filha (…) Ajudem a divulgar. Obrigada!

Professores confirmam

Após a denúncia, o Radar foi a escola Loris Cordovil onde não havia aula, segundo explicações de um funcionário, porque a diretora e os professores estavam em reunião pedagógica. Mas, ao passarmos do portão da escola, somos abordados por professores que dizem exatamente a mesma coisa que as mães das crianças.

“Essa informação não existe oficialmente. Nem a Semed (Secretaria Municipal de Educação) avisou nada, e nem nosso distrito – Divisão Distrital da Zona Sul. Mas, dezenas de pais aqui da comunidade já estiveram aqui na escola pra dizer que seus filhos estudam em CMEIs (Centros Municipais de Ensino Infantil) e que, ao falarem com a direção dessas escolas sobre a possibilidade de que suas crianças façam o ensino fundamental no Loris Cordovil, ouvem da impossibilidade de que isso aconteça porque a escola será desativada”, contam os professores pedindo para que não sejam identificados por medo de represálias por parte da Semed já que, segundo eles, “a ordem é não falar nesse assunto”.

Eles acrescentam: “Tentaram fazer a mesma coisa no ano passado, mas os pais das crianças dessa Zona da cidade foram pra rua, fizeram manifestação, e o prefeito recuou”. Segundo os professores, os pais dos alunos pretendem agir da mesma maneira nesta terça-feira (01) a tarde. “Eles vão fazer manifestação aqui na rua contra a desativação de escolas”, comentam.

“O Loris Cordovil existe desde 1998. Primeiro, a escola ficava na rua Antimari, em seguida fizeram a nossa mudança pra rua Manicoré, e depois para a rua Borba, e finalmente para a Dr. Machado. Somos tratados como ciganos, mudando sempre de lugar. É muito descaso conosco. Será que em 17 anos não dava pra ter feito um prédio próprio para a escola?”, questiona um dos professores.

Fechamento de escolas da prefeitura honra ao mérito

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Mas, dizem os professores, que esse não é o mesmo tratamento quando querem fazer propaganda da qualidade de ensino conquistada pelo esforço dos educadores do Loris Cordovil. Eles mostram ao Radar uma placa de Honra ao Mérito, onde está assinatura do então secretário de Educação do município, Humberto Michiles, e um banner onde também consta o nome do prefeito Artur Neto parabenizando a escola por ter a terceira melhor nota do País no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – é lógico que não esqueceram de colocar o slogan da prefeitura “sempre ao seu lado”.

Na surdina

E assim como contaram ao Radar pais de alunos, os professores da escola Loris Cordovil dizem que essa situação – fechamento de escolas da Prefeitura de Manaus – não vem acontecendo apenas agora. “Eles fecharam ano passado até mesmo escolas de educação infantil, nem sabemos para onde foram essas crianças”, contam. Um exemplo disso seria um CMEI de nome “Jesus ama as crianças”, localizado na Avenida Tefé 930.

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O Radar foi até o local e, realmente, o prédio está desocupado. Mas mesmo com a tinta que passaram sobre o nome do estabelecimento de ensino ainda dá pra ler “CMEI Jesus ama as crianças”. Os vizinhos do prédio contam que o imóvel está passando por reforma e será alugado. Eles não sabem precisar quantas crianças estudavam no local, mas dizem que eram muitas, e criticam o fechamento da escola.

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Outro caso que o Radar foi verificar foi o da escola de ensino fundamental Geraldo Pinheiro que antes funcionava na rua General Glicério, em frente ao Prosamin, na Cachoeirinha. A escola realmente foi desativada. O prédio está abandonado, em péssimas condições. “A maioria dos alunos ninguém sabe pra onde foi transferida. Apenas 4 turmas passaram para o mesmo lugar onde funciona o Distrito Sul da Semed, na rua Ferreira Pena”, comentaram professores.

No atual local de funcionamento da unidade de ensino Geraldo Pinheiro, na rua Ferreira Pena, não estava tendo aula. Mas deu pra notar que o espaço é bem menor do que no imóvel antes ocupado pelo estabelecimento de ensino. No local, assim como foi sugerido por pais de alunos e professores, tentamos falar com a chefa do Distrito Sul da Semed, professora Gecicleide, sobre o fechamento de escolas naquela área, inclusive o Loris Cordovil, mas ela não aceitou falar com o Radar. Sequer saiu de sua sala, apenas mandando um recado: “qualquer informação somente com a assessoria de comunicação da Semed”.

E foi o que o Radar fez. Entramos em contato, através de ligação telefônica com a assessoria de Comunicação da Semed. Primeiro, ouvimos que não tinham conhecimento de nenhuma informação sobre fechamento de escolas. Em outro contato telefônico, após enviarmos questionamentos por e-mail, assim como fomos orientados a fazer, foi dito que o fechamento de estabelecimentos de ensino da Prefeitura de Manaus era “mera especulação”, mas que haveria uma nota oficial sobre o assunto enviada também por e-mail. Mas, até às 17hs a nota não chegou. (Any Margareth)