Prefeitura de Coari “compra” R$ 21,9 milhões em material de construção e R$ 12 milhões em tubos de esgoto. E cadê as obras?

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Informações de uma obra que não existe

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Praça da Juventude deveria ter sido inaugurada em dezembro do ano passado

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Croqui do projeto da Praça da Juventude aprovado pelo Ministério das Cidades/CEF

Uma placa em um terreno no bairro Chagas Aguiar, no município de Coari, traz as seguintes especificações: Construção de Praça de Esporte e Lazer, uma obra com recursos do Ministério das Cidades, no valor de R$ 1,9 milhão, iniciada em  junho do ano passado com data de conclusão para dezembro de 2013. Esse convênio com a Caixa Econômica Federal, firmado pela administração passada, ficou mais conhecido como Praça da Juventude e tinha o objetivo de criar um espaço multiuso para os jovens de Coari disponibilizando as mais diversas atividades de esporte, lazer e cultura, com miniauditório, quadra de esportes coberta, pista de skate, pista de caminhada, sala de cinema, sala de informática com internet gratuita e Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). A contrapartida dada pela prefeitura, determinada no convênio, se resumia tão somente a concessão do terreno.

Mas, até hoje a Praça da Juventude não saiu do papel. A obra não passa de um terreno com uma cerca de madeira, onde se vê pedaços de estrutura de metal que deveriam fazer parte do alicerce e a dita placa com a data de conclusão da obra que há muito já expirou, dezembro do ano passado. Em contrapartida, está no Diário Oficial, do dia 09 de maio de 2013 (ver documento no final da matéria), a compra de “material de construção, areia, tijolo, cimento e outros, para atender as necessidades da Secretaria Municipal de Obras e Serviço Públicos (Semosp)” no valor de R$ 21,9 milhões, o que daria para ter construído 11 Praças da Juventude, levando-se em conta o valor da obra conveniado pelo Ministério das Cidades. A publicação traz ainda os nomes das empresas fornecedoras são: S.Da Silva Sahdo- ME, O.B. Fernandes Filho – ME, Mapro Indústria e Comércio de Material de Construção – Ltda – ME, Leandro de S. Silveira – ME, e Mipel Comércio e Serviços de Construção ME. O questionamento que qualquer leigo em engenharia faria é onde foram utilizados esses milhões em material de construção – cidadãos de Coari perguntaram ao Radar, mas se eles têm essa resposta que dirá nós, não é mesmo?

Da mesma forma, há questionamentos sobre a compra de R$ 12 milhões em tubos de concreto para serviços de saneamento básico, conforme publicação (homologação de Pregão n° 086/2013), “pelo menor preço”, que está no Diário Oficial do Município, do dia 11 de dezembro do ano passado tendo como fornecedora uma só empresa, Mabole Construções e Comércio Ltda .  Todo mundo quer saber onde estão esses tubos de concreto e quando vão ser feitas essas obras de saneamento básico, já que os próprios cidadãos de Coari dizem ainda não ter visto um metro sequer desses tubos sendo instalados pela cidade. Comunidades como as dos bairros Vila Progresso e Santa Efigênia, mesmo com as promessas de campanha, continuam morando em lugares alagados e insalubres. (Any Margareth)

Veja os diários oficiais abaixo:

Diário Coari 1

Diário Coari 2

Milhões em tubos de esgoto que nunca chegaram no Santa Efigênia

O bairro Vila Progresso ainda espera por saneamento básico