Presidente da Comissão de Saúde da Assembleia quer saber pra quê colegas deputados querem convocar o secretário de saúde

Nicolau e Zé Ricardo

Desde os tempos que o secretário de Estado de Saúde ainda era Wilson Alecrim que os deputados de oposição na Assembleia Legislativa do Estado Aleam, e mais precisamente o deputado José Ricardo Wendling (PT), insistem em convocar o titular da pasta para dar explicação sobre a situação caótica da saúde pública no Estado. Os deputados governistas deram um “jeitinho” de Alecrim não ir, o mesmo acontecendo com o atual gestor da Susam, Pedro Elias.

O deputado José Ricardo Wendling (PT) voltou a cobrar, nesta quarta-feira (2) da Comissão de Saúde e Previdência da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), presidida pelo deputado Ricardo Nicolau, do PSD de Omar Aziz,  a convocação do secretário de Estado da Saúde (Susam) para explicar em Audiência Pública sobre a situação precária da saúde do Amazonas, com a redução do atendimento médico, falta de equipamentos, medicamentos e de material para realização de exames nos hospitais, que já resultaram em mortes; a não convocação dos concursados aprovados em 2014; e até a demissão dos agentes de endemias, profissionais especializados no combate às doenças endêmicas, como a dengue, a chikungunya e a zika vírus. “Queremos saber qual a ação efetiva do Estado com relação a vários problemas nessa área. Estamos falando da saúde da população, dos direitos dos trabalhadores”, disse.

Mas, Nicolau voltou a brecar a ida do secretário Pedro Elias ao solicitar mais informações que justifiquem a realização dessa Audiência, ou seja, Nicolau quer saber pra quê seu colega parlamentar quer convocar o secretário de Saúde –  leva ele nos hospitais pra ver os motivos de perto, né mesmo gente? José Ricardo disse que irá encaminhar para Nicolau mais denúncias, além das que já existem, confirmando a situação crítica na saúde do Estado. “Todos os dias, recebemos denúncias de mau atendimento nos hospitais, assim como reclamações dos trabalhadores da saúde, sejam os contratados, que estão na iminência de serem demitidos, seja os concursados, que exigem a imediata convocação. Assuntos e problemas não faltam e quem sofre é o povo. Só não sei qual o medo e a dificuldade para trazer o secretário a esta Casa. Saúde é um serviço prioritário e essencial”, argumentou o parlamentar petista.

De acordo com José Ricardo, há várias outras situações que precisam ser esclarecidas com o secretário da Susam. No último dia 26 de janeiro, uma manifestação promovida por médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem levou a público que a situação da saúde pública do Estado está insustentável e que esse descaso tem causado danos aos pacientes que dependem do serviço público. No mês passado, foi denunciado nacional­mente que um bebê morreu e seu irmão gêmeo está em estado grave por deficiências no hospital do Município de Jutaí, onde foram até improvisadas máscaras de oxigênio com garrafas PET para o socorro a essas crianças. “Depois, vimos o médico da cidade dizer que esse fato é ‘corriqueiro’ e chega a ser ‘algo natural trabalhar improvisando nas unidades de saúde do interior’. Mas não podemos aceitar essa situação. Vivemos uma crise na saúde pública e o Governo precisa sair dessa inércia, resolvendo esses descasos e priorizando a saúde pública”, completou o deputado.

Crise, de novo? 

O líder do Governo do professor Melo na Assembleia Legislativa, Davi Almeida, também do PSD, classificou de “dificuldades” o que está acontecendo na saúde pública, mas explicou que a situação reflete a crise econômica nacional. “O nosso Estado foi o que mais sofreu perdas na arrecadação em função da dependência do Amazonas da indústria que, por sua vez, amargou perdas significativas e demitiu trabalhadores, levando pessoas que antes tinham plano de saúde, a procurar a saúde pública”, avalia o líder de Melo, dando o troco no petista José Ricardo jogando a culpa em sua presidente, Dilma Rousseff.

“Então esses problemas ocorrem em função da inoperância das políticas públicas do Governo Federal para a política macroeconômica”, apontou – será que é o mesmo que dizer que é culpa da Dilma pagar primeiro as construtoras em detrimento de comprar remédios e equipamentos para os hospitais?

Da mesma forma o líder do Governo explicou as “dificuldades” na rede pública de ensino. Ele explicou assim i que chamou de “inchaço” na rede pública de educação. “Muitos pais foram demitidos e não puderam mais pagar escolas particulares para os filhos, o que trouxe um aumento de matrículas na ordem de 25 mil”, afirmou.

O parlamentar finalizou o discurso afirmando que, mesmo com as dificuldades o Governo do Estado continua atendendo a população.