Presidente da CPI diz à CNN que Queiroga não é ouvido: ‘discursa para o deserto’

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O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou à CNN que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, não é ouvido por ninguém no governo federal. Na avaliação do parlamentar, o chefe da pasta discursa “para o deserto”.

Aziz justificou a afirmação dando o exemplo do anúncio da médica Luana Araújo para integrar o corpo do ministério. Após 10 dias de trabalho na pasta, a nomeação oficial da infectologista foi barrada.

“Ele [Queiroga] fala, mas ninguém ouve. O governo não ouve o ministro. Isso tem acontecido até na montagem da equipe dele. Ele tenta levar uma profissional preparada, formada nessa área e ela [Luana Araújo] nos diz lá [na CPI] que não tem ninguém nesta área no ministério hoje, na área de infectologia. É muito complicado para o ministro tocar aquilo que é necessário para o Brasil”, explicou.

Para o presidente da CPI, o Ministério da Saúde acabou virando um “puxadinho do Palácio do Planalto”.

Omar Aziz disse também que seria interessante para o Brasil ouvir um debate entre a secretária de Gestão do Trabalho e Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, e médica infectologista Luana Araújo. O senador, no entanto, ressaltou que seria impossível realizar a discussão dentro da CPI por questões de calendário.

De acordo com o parlamentar, a comissão quer finalizar os trabalhos dentro do prazo inicial de três meses. Para que isso ocorra, caso haja necessidade, haverá sessões de segunda a sexta-feira.

O senador ressaltou que, apesar de as “pessoas” acharem, ele não torce contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e disse acreditar que o chefe do Executivo pode ainda se tornar uma peça importante neste processo. Segundo Omar, basta Bolsonaro comprar mais vacinas.

“Eu queria tanto que o presidente, ao invés de fazer brincadeiras naquele cercadinho, ofender jornalista, ofender político, ofender todo mundo, que ele dissesse que comprou 50 milhões de vacinas”.

Depoimento da Dra. Nise Yamaguchi à CPI

Sobre o depoimento prestado pela oncologista e imunologista Nise Yamaguchi à CPI, o senador avaliou que a médica “com aquela voz fininha” tentou passa a ideia de que estava certa, enquanto “a ciência diz que ela não está correta”.

Na avaliação de Aziz, nenhum senador foi “deselegante” com médica, mas pediu desculpas caso Yamaguchi tenha se sentido ofendida.

Um dia após a oitiva com a médica, o Conselho Federal de Medicina repudiou — por meio de nota repudiou a ação de “alguns senadores” e criticou a “espetacularização dos depoimentos”.

“A gente faz autocrítica. Ninguém chamou a doutora Yamaguchi de quadrúpede. Eu não vi ninguém sair em defesa de jornalista que foi chamada de quadrúpede. Porque o Conselho Federal de Medicina já soltou nota apoiando a cloroquina”, disse.

Embora tenha criticado a postura do CFM, o presidente da CPI descartou chamar o presidente do Conselho, Mauro Ferreira, para prestar depoimento.