Presidente do Sindipriv anuncia paralisação nacional para aprovação de piso salarial aos enfermeiros e técnicos (ver vídeo)

Foto: Radar Amazônico

“Além de aplausos e elogios, queremos um salário digno”, apelou Gracieth Mouzinho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde (SINDIPRIV) durante entrevista ao Radar, na manhã desta terça-feira (29), onde anunciou a mobilização e paralisação Nacional da Enfermagem, que, segundo a Presidente, será realizada, nesta quarta-feira (30), pelos enfermeiros por 30 minutos no horário de trabalho. Profissionais presentes na UTI não participarão da paralisação.

A mobilização nacional ocorrerá pela entrega de documentos das ações estaduais aos membros do Senado por um grupo de enfermeiros que está em Brasília.

O objetivo da paralisação dos profissionais da saúde é pedir a aprovação do Projeto de Lei (PL) 2564/2020, que estabelece o piso salarial (menor valor pago a um cargo ou profissão) de enfermeiros e técnicos, além das 30 horas de trabalho.

Além de pedir aprovação do PL, proposto pelo senador Fabiano Cantarato (REDE/ES), as ações têm o objetivo de chamar atenção da sociedade para a ‘situação de vulnerabilidade e descaso que muitos profissionais vivem.

“Enfrentamos a pandemia da Covid-19. Desde o início, os profissionais se doam para cuidar das famílias, mas não têm descanso e por vezes ficam até sem salário”, revelou a presidente do sindicato.

Para tentar solucionar os descasos com o salário e carga de trabalho, a categoria do Amazonas, juntamente com as de outros estados, pede a aprovação do PL 2564/2020 já que ele prevê que o valor mínimo pago a enfermeiros seja de R$ 7.315,00, R$ 5.120,00 para o técnico de enfermagem e ao auxiliar o valor de R$ 3.657,00 para as jornadas de trabalho de 30 horas semanais.

Além disso, a categoria também pede suporte do governador Wilson Lima (PSC). De acordo com a presidente, os profissionais estão sem ticket de alimentação e sem receber o valor que cobre o “risco da vida”.

“O governador precisa pagar os direitos dos trabalhadores, está previsto na lei. Eles precisam dar suporte a essas pessoas que passam o dia cuidando de outras”, afirmou.

Jornada de trabalho

Um dos outros problemas que a falta de um piso salarial e a delimitação da carga horária causa aos profissionais, é a necessidade de ter mais de um emprego, já que um não é o suficiente para sustentar uma família de trabalhador. Em maio deste ano, o enfermeiro Elton Aleme, membro do Comitê e da Associação Brasileira de Enfermagem do Amazonas, esteve no Radar e ressaltou a problemática.

“Temos profissionais que trabalham 12 horas e na semana eles trabalham mais de 44 horas. Eles precisam se sustentar porque o recurso é pouco, mas o Projeto de Lei que determina a média de 30 horas pode solucionar o problema”, disse o enfermeiro.

Brasília

Uma comissão composta por cinco enfermeiros já está em Brasília para entregar no Senado o documento das mobilizações para aprovação do PL.

Graciete Mouzinho afirma que 31 municípios do Amazonas, a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e a Câmara Municipal de Manaus (CMM) declararam apoio à Categoria.

Assim como no Senado, o parlamentar Eduardo Braga antecipou, no dia 28 de Abril, voto favorável ao projeto que garante o piso salarial dos enfermeiros. 

Possíveis impasses

Um dos pontos que podem atrapalhar essa mobilização da categoria são os empresários. De acordo com a presidente, eles fazem questão de se organizar para impedir a aprovação do PL.

“Eles ficam dizendo que tiveram perdas na pandemia, mas o que vemos é o aumento do plano de saúde e o valor absurdo cobrado para internação nos hospitais particulares”, finalizou Graciete.

Veja a entrevista na íntegra: