Previsão de colapso do sistema de saúde do Amazonas desmente ações propagandeadas pelo governador

Está escrito em matéria que pode ser conferida no próprio site do Governo do Amazonas, datada do dia 20 de março intitulada “Amazonas planeja montar até 350 leitos de UTI para casos graves de Coronavírus no Hospital Delphina”. Estou citando essa matéria institucional porque lembrei dela de imediato quando chegou ao Radar a notícia sobre um possível colapso do sistema de saúde pública do Amazonas, segundo previsões feitas pelo Ministério da Saúde, levando em consideração informações repassadas pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam).

O colapso na saúde se daria pela falta de estrutura dos hospitais para atender o crescimento diário do número de pessoas com Covid-19 que precisariam de internação. Mas então cadê os tais 350 leitos anunciados pelo Governo? Pelo jeito não tem sequer 100 leitos alardeados também em março pelo próprio governador, Wilson Lima. Isso se levarmos em consideração dados do próprio Ministério da Saúde numa matéria da CNN.

A matéria diz: “Dos 50 leitos disponíveis no principal hospital público da capital amazonense o Delphina Aziz, 45 estão ocupados com pacientes entubados em razão do Covid-19. Nas últimas horas o governo local conseguiu 69 respiradores”. E lá vem de novo a pergunta que não quer calar: cadê os primeiros 100 leitos, governador? E cadê os 350 que existiriam quando a contaminação por coronavírus estivesse num estágio mais grave?

E essas perguntas levam a outros questionamentos tão importantes quanto a falta dos leitos que foram propagandeados pelo Governo. Como e por que um hospital que tem três andares de estrutura física e mais de 300 leitos disponíveis só funciona em parte? Será que esse atendimento feito pelo instituto que administra o Delphina Aziz, o (INDSH), vale o pagamento de R$ 14 milhões por mês? E por que o governador não se apressou para se preparar para o momento mais crítico da pandemia de coronavírus? E se o governador vier com aquele chororô de falta de dinheiro, será que dá pra dizer onde foram gastos os R$ 500 milhões de excesso de arrecadação apenas do primeiro trimestre do ano?

Espera-se que as perguntas não sejam palavras jogadas ao vento assim como foram as ações na saúde propagadas pelo governador.