Primeira Mostra Literária movimenta Usina Chaminé no fim de semana

Nesse domingo (18), milhares de apreciadores da literatura e da arte prestigiaram a primeira edição da Mostra Literária da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), no Centro Cultural Usina Chaminé, no Centro. Segundo a organização, mais de 1.500 mil pessoas participaram do evento entre 16h e 21h e puderam conferir exposições de livros, palestras, oficinas e shows musicais. O espaço também contou com food trucks e tendas de comidinhas, com opções de comida regional como o tacacá até alimentação vegana.

Durante o evento, 16 expositores apresentaram e venderam produtos como livros, revistas, HQs, ilustrações, vinil, artesanato, actions figure e produtos relacionados à cultura geek. Paulo Queiroz, presidente da Associação Brasileira de Escritores e Poetas Pan-Amazônicos (ABEPPA), destacou a presença da literatura local no evento.

“Estamos com obras de 43 autores locais, escritores amazônicos que escrevem todos os gêneros, do infantil a poesia. Essa visibilidade é muito importante”, comentou. Os sebos Edipoeira e Art Vinil Manaus fizeram a alegria de quem gosta de garimpar obras. Entre os achados, opções de livros, revistas, CDs, DVDs e discos de vinil.

Ainda no salão principal, destacava-se o espaço da acessibilidade, no qual os visitantes tiveram experiências de simulação de deficiência visual como a de encontrar, em um cubo fechado, duas peças da mesma forma; datilografar em uma máquina de escrever em Braille; e, com olhos vendados, descobrir texturas iguais, numa espécie de jogo da memória.

“A máquina Braille mostra como a pessoa com deficiência visual escreve e lê, mas temos também livros falados, livros em Braille e tinta, soroban adaptado para que as pessoas tenham essa experiência”, comentou Gilson Pereira, gerente da Biblioteca Braille do Amazonas.

A escritora Ana Peixoto levou toda sua coleção “Coisas da Ana” de livros infantis para o estande. “Os meus livros já foram adaptados. Tenho exemplares só em Braille, em tinta e Braille, audiolivros. Todos são acessíveis”, contou.

Oficinas – As oficinas foram muito procuradas pelos visitantes. Teve oficina de fanzine, com Naldo Cinza; de Aguada de Nanquim, com Turenko Beça; de anatomia para HQs, com Jucylande Júnior e Márcio Reis; e de quadrinho e caricatura, com Eunuquis. Todas realizadas com capacidade máxima de alunos.

A gaúcha Silvana Forero foi à mostra com a família e com amigos paranaenses que estavam em Manaus. Eles participaram de várias atividades, entre elas da Oficina de Aguada com Nanquim, ministrada pelo artista plástico Turenko Beça.

“Somos muito ligados à arte. Estamos sempre em busca de atividades culturais seja de literatura, teatro, exposições. E hoje tem tudo num só lugar”, comemorou.

Jullie, 9 anos, filha de Silvana, disse estar feliz em conhecer uma técnica de pintura e novas culturas. “Foi muito legal (a oficina). Além de desenhar, também aprendi uma nova cultura, pois o professor contou um pouco da história da tinta que usamos. Ela veio da China”, comentou.

Facilitador da oficina, Turenko Beça se disse satisfeito com o resultado. “A tinta nanquim serve para inúmeras técnicas, mas aqui utilizamos o pincel como lápis e a aguada de nanquim. A atividade teve uma receptividade sensacional”, conta. “Na dinâmica da aula, demonstrei o uso da técnica, depois sugeri exercícios com os tipos de linha e, por fim, todos desenharam com liberdade total. Estou muito feliz com o resultado”, afirmou.

Uma das mais disputadas do evento, a oficina de grafitti para crianças movimentou a área externa da Usina. A pequena Aline Monteiro, 8 anos, era uma das mais animadas. “Desenho desde os meus 4 anos. Eu adoro! Aqui já escrevi meu nome e desenhei um coração, uma estrela e uma flor”, contou a pequena, que prendeu a atenção de toda a família enquanto participava da atividade.

Facilitadora da oficina, a artista visual Chermie creditou o sucesso à possibilidade de livre expressão. “Grafitti é uma coisa muito lúdica, as crianças conseguem se expressar, dizer o que elas pensam ali brincando com o spray”, disse. “E eu gosto de ter uma relação não de arte-educadora e alunos, mas gosto da troca de experiências. Deixo todos bem livres porque a arte é livre”, pontuou.

A artista também destacou a iniciativa da SEC de incluir o grafitti nas ações. “Atualmente há um visão diferente sobre a nossa arte. O grafitti está na televisão, está na novela, nas séries e, principalmente, está em destaque nas ruas”, apontou. “Fico feliz porque a SEC tem incluído o grafitti nos eventos. A secretaria está valorizando o grafitti como arte”.

Palestras – O evento contou ainda com as palestras “Os últimos falantes do Munduruku”, com Ytange; “Cinema e literatura”, com Diego Bauer; e “Literatura Marginal”, com Rojefferson Moraes.

Rojefferson falou um pouco sobre sua apresentação no evento. “Falamos da literatura marginal da geração mimeógrafo, que é aquela dos anos 70, quando os escritores buscaram uma forma de publicar suas obras de forma independente e, para tanto, usavam o mimeógrafo e a máquina copiadora”, contou. “Mas hoje em dia a literatura marginal é outra coisa, ela chegou aos grandes centros, saiu das periferias e chegou às universidades, está inserida em todos os contextos, tem engajamento político e nas questões ideológicas”, comentou.

Música e gastronomia – Na área externa da Usina, a animação ficou por conta da DJ Rissa Sanders; da apresentação de Dança do Ventre do grupo La Azon, formado por meninas da Associação de Pais e Amigos do Down no Amazonas (Apadam); e shows das cantoras Lucinha Cabral, Lucilene Castro e da banda Gramophone.

Temporadas – A Primeira Mostra Literária da SEC marcou o encerramento das temporadas ‘Literária’ e ‘Delas’ que, desde 25 de fevereiro, realizou atividades culturais voltadas para literatura e às mulheres em todas as zonas da cidade e nos municípios de Manacapuru, Autazes e Iranduba.