Primo do prefeito de Manaus é acusado de assédio sexual por funcionárias de Distrito de Obras

As vítimas registraram Boletim de Ocorrência (B.O) e contaram ao Radar como eram perseguidas e assediadas

Foto: Ilustrativa

Três mulheres ouvidas pelo Radar Amazônico registraram Boletim de Ocorrência (B.O) contra Carlos Alberto Lemos de Almeida, 58, sob acusação de assédio sexual. Para evitar mais constrangimentos e garantir a segurança dessas mulheres, o Radar resolveu não identificá-las, mas a denúncia na polícia confirma seus relatos.  Elas trabalham em uma Divisão Distrital de Obras da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e contaram ao, Radar, nesta quinta-feira (9), que Carlos Almeida se apresenta como primo do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).

A reportagem teve acesso ao Boletim de Ocorrência (B.O) registrado pelas vítimas, onde elas contam que Carlos Alberto de Almeida chegou a dizer para uma delas “você é muito bonitinha, hein”, ao mesmo tempo, pegando no rosto dela. O relato de outra das mulheres mostra um assédio ainda mais agressivo. Uma das vítimas, que tem 35 anos e trabalha como motorista de caminhão, disse que Carlos Alberto Lemos de Almeida tentou agarrá-la diversas vezes e não sabe mais o que fazer diante desses casos.

“Ele (Carlos Alberto) pedia para ir à sala dele e dizia que queria conversar. Quando eu chegava lá, ao invés de ser uma conversa relacionada ao trabalho, ele tentava me agarrar e me beijar. Quando me senti muito oprimida, ficava trancada dentro do meu caminhão. Mas mesmo assim ele entrava no caminhão e tentava me agarrar. Ele persegue os funcionários, tanto os meninos que trabalham com asfalto e todos os motoristas. Não aguento mais tanta perseguição”, explica.

A motorista de caminhão também relatou que o empresário é acostumado a humilhar e ameaça demitir funcionários dizendo que é primo do prefeito de Manaus. “Tudo está relatado no B.O sobre tudo que ele fazia conosco. Ele comete assédio moral, humilha as pessoas e diz ser primo do David Almeida”, reitera.

Medo

De acordo com outra vítima, que tem 42 anos, ela tinha medo de ficar a sós com Carlos Alberto Lemos de Almeida e acredita que o empresário seja uma pessoa bipolar.

“Acho que essa pessoa é bipolar. Havia dias que era um excelente colega de trabalho, mas em outros momentos, deixava bem claro que o fato ser primo de uma autoridade pesa nas decisões e ordem. Tentamos deixar pra lá. Ele chegou a citar que minha roupa íntima era de velha e que me daria umas peças, eu só concordei saindo da sala sem jeito. Ele tinha uma forma de abordar a gente segurando o nosso maxilar, pedindo pra olhar fixo pra ele, eu só pedia licença para sair, mas isso não era todas às vezes. Por isso acho que ele tem problema psicológico”, disse.

Acusado promovido

As informações sobre o suposto assédio praticado por Carlos Alberto de Almeida só vêm a confirmar que ele deve ter proteção de alguém da prefeitura para continuar agindo impunemente. Ele ainda trabalhava em um Distrito de Obras quando foi acusado de assédio a primeira vez e a denúncia teria sido levada ao conhecimento do prefeito de Manaus.

Mesmo com a denúncia, segundo as vítimas, a única coisa que aconteceu foi Carlos Almeida ser retirado do Distrito de Obras, mas recebeu uma espécie de promoção, já que foi transferido para um cargo na Seminf.
“Agora depois de tudo isso, ele está como chefe da terraplanagem da Seminf. Ele é penetra, mas manda em tudo lá”, reitera.
Ela também disse ser estranho, ele ser lotado em outra secretaria, mas continuar mandando e desmandando na Seminf. O Radar Amazônico fez uma consulta no Portal da Transparência da Prefeitura de Manaus e constatou que Carlos Alberto de Almeida é lotado na Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) como assessor especial.

Informações do Portal da Transparência da Prefeitura de Manaus – Foto: Reprodução

Vale ressaltar que ele disputou o cargo de deputado estadual nas eleições de 2018 pelo partido Patriota, mas não foi eleito. Em sua declaração de candidato, à época, ele disse ser empresário.

Registro de candidatura no TSE – Foto: Reprodução

Resposta

O Radar Amazônico entrou em contato com a Seminf, por meio da Secretaria Municipal de Comunicação, solicitando esclarecimentos a respeito do caso de assédio sexual enviado ao Radar Amazônico. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta.

Veja o Boletim de Ocorrência na íntegra