Principal alvo da “Operação Traíra”, presidente da Fepesca nega acusações

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) cumpriu 26 mandados de busca e apreensão na capital e em Manacapuru (a 68 quilômetros a oeste de Manaus), durante o andamento da Operação Traíra, deflagrada nessa quinta-feira (7). O principal avo da operação, o presidente da Federação de Pescadores do Estado do Amazonas e Roraima (FEPESCA), Walzenir Falcão, teve a casa toda revistada. A operação tem o objetivo de desarticular uma organização criminosa que fraudava convênios firmados entre a Fepesca e o Governo do Amazonas. A justiça ainda permitiu o resgate de bens, entre os envolvidos, no valor de R$ 7,85 milhões, como restituição do dinheiro público. Walenir Falcão enviou nota a imprensa onde aponta seu desafeto político, o líder do Governo na Assembleia Legislativa, o deputado Dermilson Chagas como o pivô da operação.

A operação tem como base a investigação sobre os oito convênios firmados entre o Estado e a Fepesca, entre os anos de 2009 e 2014, e apura as evidências da prática dos crimes de Peculato, Lavagem de Capitais e Organização Criminosa.

Conforme o MP, nesse período, o Estado do Amazonas repassou à Fepesca R$ 7.85 milhões, que seriam destinados ao projeto “Pescando Cidadania” e beneficiaria um total de 9,6 mil pescadores artesanais associados às colônias de pescadores vinculadas à Federação de Pescadores, já que cada convênio era destinado a capacitar 1,2 pescadores em vários municípios do interior do Estado.

Esses convênios foram firmados por meio da Secretaria de Trabalho do Estado do Amazonas (SETRAB), órgão para quem a FEPESCA apresentou suas prestações de contas e cuja investigação, iniciada pela 13ª Promotoria da Proteção do Patrimônio Público, serviu de ponto de partida para a identificação de várias ilegalidades praticadas pelos dirigentes da Fepesca na execução desses convênios com o Estado.

Os 8 (oito) convênios investigados e firmados entre os anos de 2009 e 2014, tiveram o valor de R$ 850 mil, no primeiro, e de R$ 1,1 milhão nos demais, sendo R$ 1 milhão a serem desembolsados pelo poder público em favor da federação de pescadores; e R$ 100 mil pela Fepesca, como contrapartida desta entidade.

Walzenir nega irregularidades e aponta deputado como pivô da Operação

Walzenir Falcão negou que tenha cometido irregularidades na gestão dos recursos do governo para a realização de cursos para os pescadores.

Falcão atribuiu a ação da polícia civil em conjunto com o Ministério Público do Estado ao deputado estadual Dermilson Chagas (PEN). Ele afirma que há uma intriga entre ele e Dermilson que se arrasta por anos, mesmo antes de Dermilson se tornar deputado. A pendenga teria começado quando Dermilson Chagas foi superintendente Regional do Trabalho no Amazonas.