Privatização da Eletrobras foi tema de discussão na Fieam

A sensação de passar pela privatização depois de 20 anos numa empresa estatal é como tirar um saco de areia de 60 quilos das costas. Assim, o presidente da Amazonas Energia, Tarcísio Estefano Rosa, narrou sua própria experiência nesse processo aos empresários e demais representantes da indústria em reunião, nessa quinta-feira (12), na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM). “Não se consegue andar”, resumiu ele.

O edital do processo de desestatização das distribuidoras da Eletrobrás, marcado para o dia 26 de julho, foi suspenso na quinta, pela Justiça Federal do Rio de Janeiro. A decisão foi tomada a partir de uma ação civil pública ajuizada pela Associação dos Empregados da Eletrobras (Aeel). Tarcísio Rosa trabalhou por 20 anos na Eletrosul, privatizada em 1998.

“O que atrapalha a vida de vocês, na Fieam, é a burocracia de todas as empresas estatais. Você não consegue comprar um computador sem fazer uma licitação, estando sujeito a pegar um computador ruim, por exemplo, então para nós é o nosso dia a dia”, relatou Rosa.

O processo licitatório necessário para aquisição de determinados produtos dentro das empresas acaba sendo prejudicial aos negócios, como foi confirmado pelo presidente da Fieam, Antônio Silva, muitas vezes por conta do tempo no processo de aquisição de um produto e na qualidade do mesmo.

De acordo com dados apresentados na reunião, o sistema elétrico no Amazonas possui um valor de postes e consumo inversamente proporcional entre capital e interior. Segundo ele, 85% da energia do estado é consumida pela capital e 15% pelo interior.

“Não existe produtor de energia, basicamente, que não sejamos nós e não existe outro que entregue energia também”, disse Rosa ressaltando que o estado nas áreas de atuação conta com 95 usinas termelétricas de distribuição para todas as localidades.

Em reuniões mensais junto ao Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) foi constatado, segundo Rosa, que a busca é diária em cima das perdas geradas pelas ligações clandestinas no estado. Analisando o índice de perdas de janeiro a maio de 2018, o mais baixo fica em 43,44%.

O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, levantou a causa dos altos preços cobrados na conta de luz em cima dos gastos clandestinos gerados por terceiros. Segundo o empresário, o consumidor tanto físico quanto jurídico que está cumprindo a lei, acaba pagando por quem não cumpre, tendo em vista o índice de energia gasto com essas perdas.

Em resposta, o presidente da Amazonas Energia, Tarcísio Estefano Rosa, explicou que existe um nível de perda técnica aceitável pela Aneel para cada região e que parte das perdas (furtos) não tem outra forma de ser reembolsada a não ser paga pela população em uma parcela de energia estipulada pela média de custos nacionais.

Com informações da assessoria