Pró-reitora da UEA denunciada pelo Radar em 2018, é exonerada pelo governador

A pró-reitora de Interiorização da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Samara Barbosa de Menezes, foi exonerada pelo governador Wilson Lima, através de decreto datado do dia 1 de junho. A pró-reitora Samara Barbosa é a mesma denunciada pelo Radar, em matéria intitulada “Sindicância na UEA aponta corrupção até na compra de vaso sanitário”, datada de 17 de abril de 2018. O cargo da pró-reitoria será assumido pelo professor Valber Barbosa Martins. Fontes do Radar afirmam que a ex-pró-reitora foi exonerada sem nem menos o reitor Cleinaldo Costa ter conhecimento.

Bom lembrar que o cargo de pró-reitora de Interiorização nem existia na estrutura organizacional da UEA e foi criado na administração do ex-governador cassado por crime eleitoral e preso por corrupção, José Melo, e implantado em uma das várias gestões de sua Magnificência, o reitor pelo visto vitalício da UEA, Cleinaldo Costa.

O nome da pró-reitora Samara Barbosa apareceu após investigações feitas por uma comissão da própria UEA, instalada para apurar denúncias de superfaturamento em obras, pagamento por obras não realizadas, favorecimento a parentes e diversas outras irregularidades que levavam a crer o desvio de recursos da universidade estadual.

Superfaturamentos e compra de itens “desnecessários”

O reitor da UEA,Cleinaldo Costa, em 2018, se viu pressionado a instalar uma comissão de sindicância após várias denúncias feitas ao Ministério Público do Estado (MPEAM) de irregularidades na gestão dos recursos da UEA. Mesmo havendo uma pró-reitoria de administração, a pró-reitora de Interiorização Samara Barbosa passou a concentrar com o devido aval do reitor Cleinaldo Costa, as contratações de obras e serviços.

Entre os vários indícios de ilicitudes contratados pela UEA como superfaturamento de obras e pagamentos por obras que não foram realizadas, há irregularidades gritantes encontradas pela comissão de sindicância. Um exemplo disso é que a empresa A. da S. Gonzaga foi contratada para instalar 60 (sessenta) vasos sanitários na unidade de Presidente Figueiredo, mas a sindicância apurou que o prédio nem tem 60 banheiros. Na verdade, só tem sete banheiros. Além disso, os vasos são novos e não havia necessidade de trocá-los. Para a unidade chamada Núcleo de Prática Jurídica-NPJ, que só tem cinco banheiros e cinco vasos, foram comprados 40 sanitários, 20 chuveiros e 40 torneiras, também na A. Gonzaga.

A empresa IDJ Fotocópias foi contratada para prestar um serviço no Núcleo de Prática Jurídica, mas fez a obra em outra unidade da UEA, e recebeu seu pagamento assim mesmo, com direito a atestado de entrega feito pelo fiscal do contrato.

Já a empresa Axtron Ltda assinou vários contratos, conforme mostrava o relatório. A Axtron deveria fazer várias obras na reitoria e nas unidades do interior, mas fez outras coisas que não estavam no contrato. Exatamente da mesma maneira que a A. Gonzaga. Mas ambas não só foram pagas pelo valor que estava contratado e não pelo que executaram de verdade, como também tiveram os contratos aditivados.

Apesar das constatações feitas pela comissão de sindicância dos desvios de recursos da UEA, nem o Ministério Público do Amazonas deu resposta a sociedade sobre a conclusão das denúncias e muito menos a gestão de Cleinaldo Costa na UEA.

Veja a exoneração na íntegra