Professores desmentem Governo e Prefeitura sobre imunização e anunciam ato público

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Profissionais do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom/Sindical) denunciam contradições nos discursos do governador Wilson Lima e prefeito David Almeida sobre a imunização. De acordo com eles, Governo e Prefeitura têm realizado anúncios sobre importância das duas doses da vacina contra Covid-19 ao mesmo tempo em que propõem o retorno das aulas presenciais sem cumprir todas as etapas de imunização completa dos professores. Em comunicado, a classe de trabalhadores da educação, afirma que não aceitará ser colocada na mira da Covid e anuncia ato público.

“O erro do governador e do prefeito está em não obedecer ao que eles mesmos estão divulgando na propaganda”, apontam.

As propagandas estão sendo promovidas em outdoors (grandes placas de propaganda) e ressaltam a necessidade das duas doses da vacina para garantir a imunização contra o vírus, ao mesmo tempo em que será permitido que professores retomem o ensino presencial tendo tomado apenas uma dose.

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Nesse sentido, os professores questionam: “Por que estão determinando o retorno dos professores e estudantes, antes da imunização? Será que o governador e prefeito querem matar essas pessoas?”.

Retorno das aulas presenciais e a impossibilidade de imunização completa

As aulas presenciais do Governo do Estado retornarão na próxima quarta-feira (19) no interior do Amazonas, apenas dois dias depois do início da imunização dos professores sem comorbidades. Com isso, fica matematicamente impossível que seja realizado todos os procedimentos uma vez que o intervalo entre as duas doses, de acordo com a Fiocruz, é de 1 mês a 3 meses.

Nessa lógica, apesar da Prefeitura ter adiado a volta às aulas para o dia 31 deste mês, o prazo para realização de todo o processo de imunização também não poderá ser cumprido, uma vez que além dos intervalos entre as doses, é necessário aguardar 3 meses e em média mais duas semanas para ficar totalmente protegido.

“Em geral, em duas semanas após a segunda dose estaremos protegidos, pois esse é o tempo que nosso sistema leva para criar anticorpos neutralizantes, que barram a entrada do vírus nas células.”, informa o Instituto Butantan.

Resistência

Como forma de lutar pelo direito da segurança sanitária, os professores também informam no comunicado que realizarão atos públicos nesta terça-feira (18) na sede da prefeitura e governo, a fim de mostrar a indignação.

“Queremos informar, de novo, ao governador e ao prefeito, que não aceitaremos sermos colocados na mira do vírus da Covid-19. Não aceitaremos a ordem de retorno somente com a 1º dose da vacina.”, finalizam.

Nota da prefeitura

Em resposta às demandas enviadas pelo Radar sobre a escolha do retorno das aulas presenciais, a prefeitura se pronunciou dizendo que:

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informa que segue todas as recomendações dos órgãos de saúde, e afirma que manter a segurança, nesse momento de pandemia, dos servidores, alunos e pais ou responsáveis é prioridade, por isso, a volta deve acontecer no próximo dia 31.

Por meio do estudo “CovacManaus”, foi garantida a antecipação da vacina contra a Covid-19 para um grupo de profissionais da educação municipal com comorbidade (comprovada por laudo médico), de idade entre 18 a 49 anos. Outros grupos da categoria foram vacinados no cronograma da Prefeitura de Manaus. Por essas duas vias, 6.048 tomaram a primeira dose da vacina, e 3.120 tomaram a segunda dose. Atualmente, a rede municipal de ensino conta com mais de 16 mil servidores.

A Semed afirma, ainda, que criou um comitê intersetorial, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), para o plano de retorno às atividades presenciais, que monitora, entre outras questões, o número atual de infectados e o índice de propagação do vírus em cada zona da cidade. O grupo de trabalho, dividido em seis eixos (Pessoal, controle epidemiológico, comunicação, infraestrutura, logística, tecnologia e pedagógico), realiza estudos para a adequação das unidades de ensino, que desde o ano passado receberam cartazes e adesivos com informações sobre o distanciamento social e de prevenção à Covid-19.

Confira o comunicado da Asprom na íntegra