Profissionais respeitados pondo em risco suas biografias  

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Esta é uma das únicas perguntas para a qual não tenho muitas explicações. Diga-me quem quiser e puder, por que será que homens conceituados e respeitados profissionalmente, começam a fazer parte de determinados governos e põem em risco suas biografias com torpezas e se envolvendo em situações vexatórias?

Comecei a me fazer essa pergunta ao saber que a Secretaria de Saúde do Amazonas(SES) continua sem repassar os recursos do chamado Tratamento Fora do Domicílio (TFD) para o menino de 12 anos, Isaque Emanuel Gama, paciente renal crônico, que se encontra em tratamento em São Paulo acompanhado de sua mãe.

E a Secretaria de Saúde de Wilson Lima continua sem pagar mesmo após uma decisão do juiz Ronnie Frank Torres Stones, da 1ª Vara de Fazenda Pública, de determinar o imediato pagamento do Tratamento Fora do Domicílio (TFD) – se fosse um cidadão comum que descumprisse uma decisão judicial já estava era na cadeia.

Enquanto a SES termina o segundo mês sem pagar o TFD, a mãe do menino Isaque contou que ela e o filho estão passando dificuldades até pra se alimentar.

E, deixando de lado até mesmo a questão humana que deveria ser a mais importante – parece não ser para o atual governo -, nessa hora me vem à mente que o secretário de Saúde do Estado é ninguém menos que o médico Anuar Samad, reconhecido nacionalmente e internacionalmente pela sua atuação na especialidade de urologia.

Formado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), fez residência em urologia e cursou especializações na área na Espanha, Bélgica e Estados Unidos. O currículo do secretário é admirável e sua trajetória louvável.

E é exatamente por isso que torna-se tão espantoso, exatamente a secretaria do Dr. Anuar Samad não resolver com prontidão um pagamento de apenas R$ 2.200, 00 (dois mil e duzentos reais), um preço módico, para ajudar uma criança e sua mãe, uma situação tão pequena diante da grandeza  profissional do gestor da saúde do Amazonas.

Quer outro exemplo? O que se poderia dizer do médico Marcelo Antônio Cartaxo Queiroga Lopes, mais conhecido apenas como Marcelo Queiroga? Quando veio à baila seu nome para ministro da Saúde, as informações que correram os quatro cantos do país foram sobre o fato de ser um respeitado cardiologista, com área de atuação em hemodinâmica e cardiologia intervencionista. Marcelo Queiroga foi presidente da Associação Brasileira de Cardiologia.

Utilizando um dito popular, Marcelo Queiroga parecia que ia agradar a gregos e troianos, um homem de comportamento moderado, que fazia um discurso equilibrado, com respeito à ciência e em defesa das medidas sanitárias de combate à pandemia. Ele defendeu o distanciamento social e insistiu no uso da máscara. Queiroga parecia repudiar os chamados tratamentos precoces com o tal do kit covid e era um defensor intransigente da vacinação em massa da população brasileira.

Mas foi só passar a fazer parte do governo do presidente Messias Bolsonaro para se transformar. O ministro parece ter destrambelhado das ideias. Ele causou a maior confusão ao suspender a vacinação para adolescentes no país e, em Nova York onde foi acompanhar o presidente da República para a Assembleia-Geral das Nações Unidas, Queiroga atrair a atenção não por sua expertise como médico, mas sim por seu comportamento tão bizarro quanto o do presidente Messias Bolsonaro, por fazer gestos obscenos e por ter levado “na bagagem” o coronavírus para a ONU. No mais foi uma nulidade.