Projeto de Lei de Anistia de policiais militares aprovado na Câmara Federal estaria “engavetado” no Senado por interferência do próprio governador professor Melo

Melo, Omar e Pauderney

O projeto de Lei de autoria do deputado Pauderney Avelino (DEM) que concede anistia a policiais e bombeiros militares do Amazonas que participaram de movimentos reivindicatórios por promoções, melhores salários e condições de trabalho, foi aprovado em março na Câmara Federal e foi enviado para o Senado, como é de praxe, para apreciação e votação. Mas, nem se houve mais falar no dito projeto. Segundo fontes do Radar, o projeto estaria “dormindo” em alguma gaveta do Senado, sem sequer dia marcado para entrar em pauta, por interferência do próprio governador José Melo (PROS) que teria “pedido” a aliados em Brasília como o senador Omar Aziz (PSD) para brecar a aprovação da matéria.

Sem o “perdão” do projeto de Anistia por participarem de atos públicos e da paralisação da corporação que ocorreu em abril do ano passado, 300 policiais e bombeiros militares do Estado podem ser “disciplinados” com cadeia e até com expulsão da polícia militar – cadê aquele discurso de “gente do bem” da tríade Melo, Artur e Omar, hein gente? Esses policiais estão respondendo a processos administrativos militares por participarem dos movimentos reivindicatórios que começaram no ano passado. A “ira” do governador professor Melo contra esses policiais militares é porque eles voltaram às ruas esse ano em protesto pelo descumprimento da chamada Lei dos Praças, com a reestruturação de carreira, concessão de promoções e ganhos salariais. A Lei dos Praças foi elaborada dentro da sede do Governo, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado e sancionada pelo próprio governador Melo, em pleno período eleitoral, ganhando assim a simpatia de cerca de 10 mil praças da PM – imagina, gente, o que isso não significou de voto contando com o fato que cada um desses policiais tem família e amigos, né mesmo?

Através de vídeo que o Radar mostra pra você, Pauderney Avelino comemorou a aprovação do projeto de Anistia na Câmara Federal que ele lembrou ser fruto de “um compromisso de campanha” – inclusive assumido pelo governador do Estado – de que “esses policiais militares que buscam através de um movimento pacífico melhorias salariais, que deixam suas casas, suas famílias, e muitas vezes não sabem se voltam, ou não voltam, não possam sofrer penas de até 10 anos de cadeia”.

O Radar entrou em contato com o deputado Pauderney Avelino, através de sua assessoria de imprensa, de onde veio a seguinte resposta: “O projeto foi aprovado na Câmara, mas ainda não tem data definida para entrar em votação no Senado. O projeto está aguardando apreciação para ser votado”. Ou seja, exatamente como disseram as fontes do Radar, está “dormindo” em alguma gaveta e ainda nem tem previsão de ir para pauta.

Já o deputado Pauderney Avelino no vídeo diz que o projeto de Anistia se transformará em Lei, mas isso só pode acontecer se for aprovado no Senado e for sancionado pela presidente Dilma Rousseff. Algo que, com o passar dos meses, parece ficar distante, e segundo interlocutores do Radar, se depender do governador professor Melo não acontecerá já que, só assim, ele pode manter os policiais revoltados com as promessas não cumpridas de campanha em rédea curta, quietos e calados sob a ameaça de que, pior do que não ter promoções e sequer reposição salarial, ainda venham a parar na cadeia e expulsos da Polícia Militar. (Any Margareth)