Projeto “Mãos que Matam” chama atenção para poluição dos rios escancarada pela enchente

 

A enchente deste ano transformou as ruas do Centro de Manaus, o novo cenário causa admiração e o desejo de registrar o momento, mas a cheia do Rio Negro, que atingiu 29,87 metros nesse domingo (23), fez emergir velhos problemas sociais. O lixo está submerso em vários bairros da região central, e como forma de chamar atenção para o problema, o artista plástico Jandr Reis, jogou luvas amarelas, em uma rua inundada ao lado da Praça do Relógio.

As luvas domésticas preenchidas com isopor deram vida ao projeto “Mãos que Matam” . De acordo com o artista, a obra é uma reflexão sobre a agressão do homem contra os rios em relação à cheia deste ano, que poderá bater recorde nos próximos dias.

A maior cheia em Manaus ocorreu em 2012, quando o nível da água chegou a 29,97 metros, nível apenas 10 centímetros mais alto do que o atual.

“Simboliza a devastação. Toda a agressão do homem com a natureza influi no desmatamento da floresta, causando o aquecimento global. Uma conscientização do homem que destrói e polui a natureza e ela também se revolta de forma catastrófica”, explica o artista.

Segundo Jandr, o lixo que é jogado nas ruas, acaba parando nos rios após serem levados pela chuva. “Precisamos chamar atenção para esse problema social”, disse Jandr Reis.

O lixo na porta de casa

Foto: divulgação

Quem passa pelo Centro comercial, pode até achar atrativo o cenário da enchente, pois ao que tudo indica, nessa região o poder público ‘se preocupou e manter’ boas aparências. De fato as pontes estão garantindo a passagem de trabalhadores e pedestres. Mas algumas ruas distantes das lojas e pontos turísticos o cenário é totalmente diferente.

Em diversas reportagens feitas pelo Radar, a realidade da população é bem diferente, sem ter dinheiro para comprar madeiras, moradores da região central tem que pisar na água suja e no lixo para sair de casa.

Andar nas passarelas à noite é um risco ainda maior, sem iluminação é impossível saber onde pisar, já que as passarelas improvisadas pela própria população já começam a se quebrar aos poucos.

Moradores pedem que a prefeitura realize reparos nas pontes que estão apodrecendo com o aumento do nível do rio. / Foto: Radar Amazônico

O previsão do Serviço Geológico do Brasil é que neste ano o Rio Negro passe dos 30 metros, enquanto isso, as famílias que moram nas áreas afetadas pela cheia se viram como pode, e tentam fazer milagres com o auxílio aluguel de apenas R$ 300,00.