Prosamin vira esgoto com fezes humanas a céu aberto num espaço onde convivem urubus e crianças

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O Radar foi constatar a veracidade das denúncias que recebeu sobre a situação degradante que foi imposta as pessoas que moram na área onde o Governo do Estado construiu o Sistema Viário do Quarenta, obra que está inserida no Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamin) e onde foram gastos R$ 220 milhões. O que vimos naquele local é humilhante e revoltante. Em propaganda oficial, nos jornais rádios e emissoras de TV, o Governo de Omar, e na sequência o de Melo, alardeou a seguinte mensagem sobre a obra: “O governo vai sanear, urbanizar e recuperar trechos mais degradados da área, melhorando a qualidade de vida da população”.

Pois não fez nem uma coisa, nem outra. A realidade é muito diferente da propaganda. O governo construiu ruas e viaduto, se preocupou com carros e pouco ou nado com gente, deixando de lado o que fica por debaixo da terra, aquilo que não dá voto, o saneamento básico, que pelo menos em sua concepção, era a razão da existência do Prosamin quando foi criado. É visível que não existe esgotamento sanitário já que grande parte do canal do Igarapé do 40 está tomada por fezes humana (foto), onde não dá pra ver nem se existe água. O fedor é insuportável. Mesmo com toda a nossa perseverança profissional, não houve como suportar mais do que quinze minutos no local. Em pouco tempo, qualquer um começa a ter ânsia de vômito e dificuldade para respirar.

IMG-20140715-WA0006É visível a presença de ratos e moscas, assim como um grande número de urubus. Enquanto isso, crianças transitam pelo local, já que existem moradias em toda a extensão que fica as margens do igarapé. É quase inacreditável pensar como essas pessoas conseguem viver naquele lugar. Mas haverá quem diga que tudo melhorou, já que um dia, o Igarapé do 40 já foi um amontoado de casinhas de madeira (palafitas), caindo aos pedaços, instaladas sobre águas fétidas, onde também habitavam roedores, insetos e urubus. A imagem mudou, com a existência do asfalto, de ruas e viaduto, mas como diria o escritor francês Antoine de Saint-Exupérry, em seu livro “O pequeno príncipe”, muitas vezes “o essencial é invisível aos olhos”, e este é o caso do moradores do Igarapé, onde a visível estrutura não trouxe melhora na qualidade de vida essas pessoas.

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Protesto   

Os moradores do Igarapé do Quarenta fizeram uma manifestação de protesto, no dia 30 de julho, quando o governador José Melo inaugurou o Sistema Viário do Quarenta. Segundo eles, as obras não passaram de “maquiagem”. O igarapé do 40 não foi saneado, foi apenas represado, mas se a chuva for muito forte, existe um refluxo da água pelos tubos de esgoto, que leva o igarapé de volta pra dentro das casas, inundando as moradias, exatamente como antes quando não havia sido implantado o Prosamin  e a cheia dos rios provocava  a subida das águas do igarapé que invadia as casas. Só que agora a situação é bem pior já que não foi feito esgotamento sanitário e o igarapé virou fossa, e o que invade as casas são dejetos humanos.

Os moradores já haviam denunciado o que estava acontecendo, quando Omar Aziz era governador, e as obras ainda estavam em andamento.  Ele chegou a ir ao local e assegurou que até a conclusão dos serviços, e a inauguração do viaduto, o problema estaria resolvido, o que não aconteceu. No dia da inauguração do sistema viário, a reposta de Melo para o protesto foi a mesma de Omar, tudo seria resolvido. O governador chegou a recolher ele próprio os cartazes com as reclamações dos moradores. Mas, assim como Omar, a solução dada por Melo ficou apenas na promessa. (Any Margareth)

Fotos: Zezinho Rodrigues