Qual é a surpresa da grande imprensa da mesma polícia que cometeu todo tipo de abuso durante as eleições tratá-la com truculência?

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Comandantes da PM retiraram a polícia da rua para participar de bandeirada, panfletagem, atividades de campanha eleitoral, e a chamada grande imprensa não publicou nada. As atividades de campanha eram combinadas pelas redes sociais, e a grande imprensa não viu nada. Efetivo do Ronda no Bairro, ao invés de estar nas ruas, foi destacado para gravar programa de TV do Governo, e a grande imprensa não publicou uma linha. Policiais militares carregaram eleitores, prenderam ilegalmente pessoal da campanha de candidato adversário do governador, coagiram eleitores, invadiram casas sem mandado judicial sob a justificativa de suspeita de compra de voto, cometeram todo tipo de abuso na eleição para garantir a vitória do governador, e a grande imprensa sequer tocou no assunto.

E ainda, numa situação pra lá de absurda, subsecretário de Justiça – leu direito? Estamos falando da secretaria de Justiça –  é gravado, dentro do presídio, em bate-papo sobre eleições com traficante, líder de facção criminosa, e a grande imprensa veiculou o assunto como um fato trivial e ainda sequer pressionou para saber se a gravação é verdadeira, se estamos reféns de bandidos – sejam eles fardados ou não – ou se a gravação não passava de uma montagem criminosa, fato que também mereceria uma punição rigorosa. E essa mesma polícia – não confundir com os chamados membros da valorosa Polícia Militar do Amazonas – é aquela que logo depois da apuração, esmurrava o ar, batia no peito, e berrava que ganhou as eleições e elegeu o governador do Estado.

Então, porque essa mesma grande imprensa se espanta de ser tratada com desrespeito por policiais militares? Policiais militares da 8ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) são acusados de terem agido com truculência contra os jornalistas de A Crítica que estavam cobrindo um mero jogo de futebol – imagina se fosse uma ocorrência policial, né mesmo? Um deles PMs se achou no direito de tomar a máquina fotográfica do repórter e apagar as imagens feitas pelo profissional do que seria uma abordagem feita a um suposto jogador armado. Esse dito PM não teve a menor desfaçatez em esconder a identificação, ou seja, para desrespeitar a imprensa não precisa mais nem se identificar. Dois desses PMs foram identificados como “A. Moura” e “Costa Andrade”.

Está dito na matéria sobre o que aconteceu que a direção do veículo de comunicação vai denunciar o caso à Corregedoria de Polícia. Mas, que a grande imprensa se espante menos ainda se não acontecer nada, nem sequer uma mera advertência aos policiais que agiram dessa forma, já que após a greve dos Praças da PM tem até comandante levando bronca de soldado e voltando atrás em punição dada, sob a ameaça de ser e destruído do comando. Afinal, eles fizeram o que bem entenderam durante as eleições e essa mesma imprensa não viu, nem ouviu e muito menos publicou nada. E quem vai puni-los, o governador? (Any Margareth)

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