Quando é que o tijolo e o cimento passaram a valer mais que o ser humano?!?!

Lá se vão uns vinte anos quando vi Amazonino Mendes explicar baixos investimentos em obras pela necessidade de investir em áreas mais prioritárias naquele momento, em setores como saúde e educação, dizendo: “No meu governo, o tijolo e o cimento não valem mais que o ser humano”. Eu, jovem que era, fiquei embasbacada por acreditar que aquilo era sabedoria pura.

Agora, fiquei mais uma vez embasbacada, mas com um sentimento totalmente contraditório ao daquela época.

No site Transparência do Governo do Estado, no link de despesas, estava prevista uma “Dotação Inicial” este ano para obras, através da Secretaria de Infraestrutura do Estado (Seinfra), de R$ 354.2 milhões, mas foi “autorizado” pelo Governo de Amazonino Mendes um gasto de mais de R$ 1 bilhão, mais precisamente R$ 1.033.777.712,93 (um bilhão e trinta e três milhões e setecentos e setenta e sete mil e setecentos e doze reais e noventa e três centavos) e já foi empenhado para pagamento mais de R$ 718, 6 milhões, ou seja, mais de duas vezes a dotação inicial

A diferença entre o que foi destinado do Orçamento do Estado para obras da Seinfra e o que foi autorizado a ser gasto significa um aumento com obras de quase 200%.

Já a “Dotação Inicial” para educação nota-se que é maior, ficando num montante de R$ 2,1 bilhões. Mas, diferente de obras, o governador não autoriza gastos com educação que ultrapassem cerca de módicos 10%. Esse é o percentual de diferença entre a dotação inicial (R$ 2,1 bilhões) e o que foi autorizado pelo governador (R$ 2,3 bilhões).

Vale lembrar que o próprio Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) anunciou publicamente um alerta ao governo do estado de que pode sofrer sanções por não gastar com educação sequer o mínimo previsto na Constituição Federal que é de 25%. O Governo teria gasto nesses primeiros meses do ano pouco mais de 15% com educação.

E aí, eu que não sou mais jovem como antes – não esquecer que existe uma idade cronológica e outra mental – , fiquei pensando cá com meus botões: “Quando foi que a sábia premissa de Amazonino se perdeu com o passar dos anos? Quando foi que o cimento e o tijolo passaram a valer mais que o ser humano?