Que Amazonas é esse, meu povo?

Bolsonaro participa de motociata em Manaus RICARDO OLIVEIRA / AFP

O título desse texto foi uma pergunta que me fiz, repetidas vezes, ao ver cenas do evento político-eleitoral, que teve início com uma motociata, realizada em Manaus pelo presidente Messias Bolsonaro, (PL) e seus correligionários, no sábado passado (18). Meu final de semana foi “recheado” de questionamentos que ficaram “batucando” na minha mente e, confesso, me encheram de tristeza.

Cadê o orgulho do meu povo? Onde foi parar o nosso amor-próprio? Milhares de pessoas estavam lá aplaudindo e chamando de mito quem tem nos alijado do resto do país, temos sido tratados como cidadãos de segunda classe, – ou seria melhor dizer sem classe alguma? -, como sub-raça, a quem não é dado direito de ter dignidade.

Ao invés de desenvolver ainda mais nosso Parque Industrial, atrair ainda mais indústrias para o Amazonas, desenvolver o único modelo econômico que temos, estendem nossas vantagens fiscais pro resto do País, nos deixando em desvantagem em comparação com outros centros industriais como São Paulo, que não tem grandes problemas de logística, por exemplo, provocados pelas enormes distâncias que tem o Amazonas do resto do país.

Pregam a igualdade entre desiguais, afinal eles (os grandes centros industrias do país) sempre tiveram tudo e nós (Amazonas) quase nada. O mito que meu povo aplaude e festeja, ao invés de atrair novos investimentos, afugenta empresas, afinal quem vai investir numa terra onde as regras industriais são modificadas ao bel prazer dos governos, num é mesmo?

Pra nós, a ralé deste País, não está destinada a industrialização, está destinada a ação que degrada, que destrói! O garimpo ilegal, que não recolhe impostos para o estado, nem para a Nação, com seus garimpeiros maltrapilhos, trabalhadores escravos de uns poucos “coronéis de barranco” aliados do governo. Pra nós está preparado o desmatamento pra nossa terra arrasada virar deposito de merda de boi, afinal o agro é tech, é pop, é tudo!

Pro Amazonas não virá investimentos em pesquisa que use nossa fauna e flora para transformar em riqueza par o nosso povo. Eles querem fazer como um dia fizeram os portugueses, entregam umas bugigangas e a indiarada está toda feliz e aí levam todas as nossas riquezas.

E nem vou falar de política econômica porque aí é que não dá pra entender mesmo que Amazonas é esse, que bate palma para um governante que tem uma política econômica desastrosa, com inflação e juros altos, custo de vida caríssimo e seguidos aumentos no preço dos combustíveis. Vivemos no país de 33 milhões de famintos e no interior do Amazonas a fome campeia.

E, enquanto isso, povo da minha terra aplaudia num palanque, na Arena da Amazônia, pastores evangélicos usando o nome de Deus para fazer política eleitoral. E lá veio mais uma pergunta na minha cabeça: onde foi parar na Bíblia do povo evangélico o mandamento de Deus que diz: “Não tomarás o Nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar seu nome em vão”.  

São tantas perguntas que revoltam a alma de quem tem orgulho de ser amazonense.