Que Brasil é o teu meu irmão?

Foto: Marcos Oliveira – Agência Senado | Luciano Belford – O Dia

Em outros lugares do mundo, por muito menos, já teria um monte de gente presa. Penso isso enquanto ouço o discurso do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, numa coletiva da Organização Mundial de Saúde que diz coisas muito parecidas com o que era dito pelo então ministro general Eduardo Pazzuelo, algo do tipo: “Temos doses suficientes para o segundo semestre (…) O Brasil tem capacidade de vacinar 2,4 milhões de pessoas por dia”.

Esse é mais um daqueles momentos em que me sinto como se existissem dois Brasils, – peço licença poética para usar esse plural tá meu povo? – um Brasil onde vive o presidente Messias Bolsonaro, seus seguidores, aliados, correligionários, xerimbabos, apaniguados e gente desse gênero e um outro onde vive o restante da população brasileira, Brasil este onde me incluo.

Digo isso porque, pelo jeito, no Brasil onde o ministro Queiroga vive, centenas de cidades não paralisaram a vacinação por completo por falta de vacina. O ministro fala que o Brasil tem doses de vacina suficiente para o segundo semestre e que tem capacidade de vacinar 2,4 milhões por dia, mas cadê vacina pro primeiro semestre, pra segunda dose de imunização de milhares de brasileiros? Está tudo parado ministro!

No Brasil onde nós seres humanos normais vivemos 30,8% das cidades, segundo a Confederação dos Municípios, teria parado de imunizar a população, inclusive a aplicação da segunda dose, porque a vacina acabou.

E a vacina para a segunda dose acabou porque o governo de Messias Bolsonaro, do qual Queiroga é ministro, anunciou que as cidades não precisavam reservar vacina pra isso, porque o Governo Federal enviaria imunizante suficiente para o todo o país.

No nosso Brasil, que positivamente não é o mesmo do Governo Federal, as pessoas que não tomaram a segunda dose da vacina, além de todas as tensões causadas pela pandemia, ainda se veem as voltas com a preocupação de não saber ao certo o que acontece quando não se toma a segunda dose do imunizante. E, quando essas pessoas pensavam que já poderiam ter uma vida praticamente normal, voltar a lutar por melhores dias, lá falta a segunda dose e põe por terra a esperança.

E enquanto vamos vivemos no Brasil de verdade onde já morreram mais de 406 mil pessoas, Queiroga e seu ministério do Brasil de mentira fazem propaganda de milhões de vacina que não existem.

E apoiadores de Bolsonaro, em pleno Dia do Trabalhador aglomeram nas ruas pedindo golpe militar, destituição dos ministros da maior Corte de Justiça do País, o STF, e fechamento do Congresso Nacional, manifestações publicas que ferem a carta Magna do país, a Constituição Federal.

E, se isso acontecesse no Brasil de verdade, dos pobres, índios, negros, favelados, sem teto, sem terra, sem grana…não tinha mais nem cadeia pra botar tanta gente, mas no Brasil de mentira de Bolsonaro, de gente linda, de famílias tradicionais e bem nascida tudo pode acontecer, já que nesse Brasil eles fazem suas próprias Leis.