Quem disse que a morte de Bruno e Dom é só um crime comum?

Ilustração mostra o jornalista Dom Phillip e o indigenista Bruno Pereira

Tem gente insistindo em encarar a morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips como um crime qualquer, tão somente um assassinato e ponto final. Assim fica mais fácil justificar a política criminosa do governo federal na Amazônia.

Uma política criminosa que estava presente quando o indigenista Bruno Pereira foi demitido da coordenadoria-geral dos povos isolados e recém contatados, após estar a frente de uma megaoperação, onde participaram 60 agentes da Funai, Polícia Federal e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis), no sudoeste do Amazonas para combater o garimpo ilegal e predatório, exatamente em área da Terra Indígena Vale do Javari.

Quando Bruno foi demitido, em 2019, e forçado a se afastar, é como se estivessem dando uma autorização para que os criminosos agissem livremente, já que os únicos a defenderem a Amazônia e seus povos originários estavam sendo tirados do caminho. Quem assinou a demissão de Bruno foi Luiz Pintes de Souza, homem de confiança do então ministro da Justiça e Segurança Pública, juiz Sérgio Moro.

Moro anda dando declarações que levam a crer que, agora, ele quer se eximir de responsabilidade dizendo que não mandava em nada quando era ministro. Sua encenação de fraco e submisso não vão surtir o menor efeito.

A política criminosa do governo do Messias Bolsonaro que leva a tragédias como os assassinatos com requintes de crueldade de Bruno e Dom está presente quando o governo desmonta os órgão ambientais, desqualifica ambientalistas e indigenistas, flexibilizam leis para facilitar o desmatamento, o garimpo ilegal, a pesca predatória, a caça de animais silvestres…

Com Bolsonaro nem as cavernas escaparam. Foi dada autorização para se cavar cavernas e explorar minério. E quando se destrói tudo em volta, não há por que se preservar a vida humana de quem defende a preservação do meio ambiente.

A vida de quem incomoda aqueles que defendem a exploração ambiental a qualquer preço é a primeira a ser dizimada. Por isso, a morte de Dom Phillips e Bruno Pereira começou a existir muito antes de acontecer e foi arquitetada junto com a política ambiental criminosa de um governo burro e incompetente.