Quem disse que o crime não compensa?

A assertiva de que “o crime não compensa” destoa de determinadas situações que vivemos no Brasil, em particular no Amazonas. Um exemplo disso é que os dedos-duros, que a Lava Jato de Moro transformou nuns tais de “delatores”, que assumiram praticar corrupção e que apontaram o dedo sujo para outras pessoas, foram premiados e continuam milionários e livres.

No Amazonas, na gestão do então governador José Melo, renais crônicos morreram por falta de hemodiálise e quem procurasse a saúde pública não conseguia sequer um exame menos complexo ou uma cirurgia que salvasse sua vida. Diabéticos, inclusive crianças e idosos, ficaram sem insulina. O caos se instalou na saúde e, enquanto isso, milhões eram desviados das contas públicas, segundo o Ministério Público Federal (MPF). José Melo foi cassado por compra de votos e preso por comandar um esquema criminoso que desviou o dinheiro da saúde pública.

Mas Melo passou pouquíssimo tempo na cadeia. Hoje, ele está solto e o máximo de punição que tem levado é usar uma tornozeleira eletrônica. Todos os meses, cai na sua conta uma pensão especial vitalícia, sob a justificativa dele ser ex-governador, no valor de quase R$ 30 mil. Quer dizer que vamos passar o resto de nossas vidas pagando quem é acusado de ter nos roubado. Simples assim!

E tem mais. No dia 22 desse mês, foi publicado no Diário Oficial um decreto em que o ex-secretário de Fazenda do Estado, Afonso Lobo, denunciado pelo MPF por fazer parte do esquema de corrupção na saúde – ele era responsável pelo pagamento das empresas que faziam parte do grupo criminoso de Mouhamad Moustafá – acaba de se aposentar com um total de proventos de mais de R$ 61 mil, mensalmente. Ou seja, enquanto a reforma da previdência de Bolsonaro castiga o cidadão comum com um calculo de aposentadoria miserável e quarenta anos de contribuição, sem ficar desempregado ou doente, durante quarenta anos, os acusados de crimes contra o erário público têm gordas aposentadorias e pensões.

E como ainda me dizem que o crime não compensa?