Quem é que acabou com o Brasil mesmo, hein?!

Sergio Moraes/Reuters

Em 2016, enquanto Dilma Rousseff era cassada por acusações, como por exemplo, que os gastos públicos tinham ficado fora de controle – tinha até um negócio de umas tais pedaladas fiscais -, o Congresso Nacional aprovava a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 95 que limitava por 20 anos os gastos públicos, inclusive determinava uma aplicação mínima em ações de serviços públicos de saúde e em manutenção e desenvolvimento do ensino no exercício fiscal de 2017.

Encaminhada pelo governo de Michel Temer, a justificativa para a aprovação da PEC era o equilíbrio das contas públicas, porque o “Brasil estava sendo destruído por aquela mulherzinha incompetente” – esse inclusive era um dos motivos dos inúmeros ataques de ódio do então deputado federal Jair Bolsonaro contra Dilma Rousseff.

Mas, eis que de repente, o mesmo Congresso Nacional que determinou limite de gastos do Governo Federal, até mesmo com saúde e educação, já não acha mais necessário ter um teto para os gastos públicos, mesmo que isso desrespeite a Lei Maior da Nação, a Constituição Federal e nem que signifique um rombo nas contas públicas que pode ultrapassar 50 bilhões, segundo economistas.

A nova Proposta de Emenda Constitucional, mais um “remendo” na Constituição Federal, libera geral para o presidente Messias Bolsonaro implantar seu “pacote de bondades” e gastar como bem entender em pleno período eleitoral.

O Auxílio Brasil vai aumentar de R$ 400 (quatrocentos reais) para R$ 600 reais e vão ser incluídas na lista de beneficiários mais 1,6 milhões de famílias que aguardam o benefício. Gasto até o fim de 2022: R$ 26 bilhões. Tem também o pagamento do “Voucher Caminhoneiro” ou “Pix Caminhoneiro”, como está sendo chamado popularmente, no valor de R$ 1 mil (mil reais) a caminhoneiros autônomos. Gasto até o fim de 2022: R$ 5,4 bilhões.

O Vale Gás, para as famílias de baixa renda, passa a ter o dobro do valor e agora é de R$ 120 (cento e vinte reais) por bimestre. Gasto até o fim de 2022: R$ 1 bilhão. Tem compensação para o setor de transporte por causa da gratuidade ao idoso no transporte público. Gasto até o fim de 2022: R$ 2,5 bilhões.

Em suma, os vales e auxílios de Messias Bolsonaro instalam no Brasil o vale-tudo eleitoral, não importando se o resultado seja o caos econômico do País.

Bom lembrar que o mesmo Messias Bolsonaro, quando era deputado federal, chamava o Bolsa Família de “Bolsa Farelo”, e associava o programa social ao “Voto de Cabresto”. Bolsonaro acusava governos petistas de “sustentar vagabundos”.

Os especialistas dizem que os gastos públicos do atual governo federal podem levar o país ao caos. Eles preveem que as medidas vão ter efeito oposto ao esperado pelo governo, já que eleva a incerteza, o câmbio e, consequentemente, a inflação. “Aumentar os gastos para expandir o consumo num momento em que o BC sobe juros para segurar o consumo só prejudica a imagem do País e aumenta perspectiva de calote”, diz o economista Caio Ferrari Ferreira, em entrevista a Isto é Dinheiro.

E depois de saber de tudo isso, a pergunta que não quer calar é: quem é que que acabou com o Brasil mesmo, hein?