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“Quem manda na cadeia e no Estado é (sic) nós, mano!”, disse um chefe do crime

Essa frase não foi dita exatamente assim por um chefe do crime no Amazonas que hoje está preso numa cadeia federal, mas não há como negar que o sentido é o mesmo ao ter dito: “quem faz a disciplina no presídio e no Estado, é nóis mano!”. Essa frase foi dita, em 2014, pelo traficante Zé Roberto da Compensa, líder de uma facção criminosa, a Família do Norte (FDN), durante uma conversa dentro do presídio com ninguém menos que o subsecretário de Justiça e Direitos Humanos, major Carliomar Barros Brandão, onde é visível a busca de apoio eleitoral do mundo do crime e a conquista de votos para garantir que o então candidato, José Melo – hoje governador cassado por corrupção eleitoral – fosse eleito para mais um mandato.

Essa afirmação de que a criminalidade manda no Estado, como dá pra ver, não é de hoje e também não me saiu da cabeça na noite dessa segunda-feira (10), enquanto se ouvia por toda a cidade barulhos de fogos de artifício que, segundo informações, eram pra comemorar o crescimento do poder de outra facção criminosa, o Comando Vermelho (CV), sobre áreas que antes estavam sobre o domínio da FDN.

Outro motivo para a queima de fogos, teria sido uma forma de deixar claro “quem manda na cidade”, após o assassinato com mais de seis tiros de um dos líderes da FDN – facção rival à CV – Diogo Lopes Linhares, 34 anos, conhecido como “Baixinho”.

E no meio dessa guerra, o povo fica preso dentro das suas casas, refém de bandidos soltos na rua. E o poder anunciado por facções criminosas, assume formas cada vez mais violentas, já que os criminosos visivelmente parecem decidir quem vai morrer, não importa que tenha apenas 14 anos, não importa que seja apenas uma menina ou menino.

E as demonstrações de força beiram o inacreditável como no vídeo em que, junto com o barulho dos fogos de artifícios, distingue-se claramente sequências de tiros de metralhadora.

E a solução dada pelo governo do Estado é a mesma das outras vezes: criar um tal de Gabinete de Crise como foi criado em situações anteriores e que não gerou resultados práticos sobre o poder da criminalidade.