Quem poderá salvar meu povo dos prefeitos festeiros do interior?

Não é que no Radar sejamos contra festas. Euzinha, por exemplo, gosto e num é pouco não! Mas, na administração pública, deveria acontecer o mesmo que na vida privada: só se faz festas quando as contas estão pagas, as finanças estão equilibradas e não estão faltando coisas prioritárias como educação e saúde. Porém, não são esses os critérios vistos nas gestões de grande parte dos prefeitos do interior do Amazonas e, como se fosse um escárnio, eles fazem festas milionárias enquanto o povo sofre. E o pior é que ninguém aparece para impedi-los de agir desse jeito, antes que o dinheiro escorra pelo ralo do mau uso da verba pública.

Dando um exemplo do que ocorre no interior, foi só ser postada no Radar a matéria sobre gastos de mais de meio milhão de reais feitos pela prefeitura de Carauari que surgiram telefonemas e mensagens de WhatsApp falando dos sérios problemas que ocorrem na gestão do prefeito Bruno Ramalho (MDB), principalmente em áreas essenciais da administração pública como saúde e educação.

Em um dos telefonemas dados a um dos nossos repórteres, um cidadão de Carauari contou que uma pessoa da sua família estava muito doente e, diante da precária estrutura de saúde do município, seus familiares buscaram ajuda da prefeitura pelo menos pra trazer o paciente pra Manaus. “Nos disseram que a prefeitura não tinha recursos para isso”, conta em tom de revolta, acrescentando: “Mas quer dizer que tem mais de milhão pra gastar com festa”.

Muitas vezes, nós do Radar nem acreditamos no que estamos lendo nas publicações no Diário Oficial. De um lado, festança, e de outro comunidades miseráveis com jovens sem perspectivas, cooptados pelo mundo das drogas, cidadãos sem direito à saúde, morrendo à mingua, crianças sem merenda escolar, a cidade cheia de buracos e lama e etc,etc,etc…….

Outro exemplo quase inacreditável do “mundo maravilhoso” vivenciado pelos prefeitos do interior que contrasta com o “mundo miserável” imposto aos cidadãos, é o de Parintins, cuja prefeitura pagou mais de meio milhão pra ver o bumbum de Anitta mexer enquanto o povo parintinense, inclusive crianças e idosos, bebem água suja.

Fatos como esse têm sido, rotineiramente, denunciados pelo Radar, onde criamos inclusive a classificação de “prefeitos festeiros” para os administradores públicos de cidades do interior do Amazonas que cantam chorinho e vivem alegando falta de dinheiro pra tudo por causa de “tempos de crise”, mas cantam outros tipos de música enquanto ostentam com dinheiro público.

E o mais revoltante é saber que tem muita gente ganhando com esses contratos de shows, enquanto o povo só perde…E que, até agora, nenhum dos órgãos de controle externo das administrações públicas consegue dar um jeito nos prefeitos festeiros do interior do Amazonas.