Quem se diz envergonhado com a corrupção usa a Sejusc e os PACs em campanha eleitoral

Enquanto o governador e candidato à reeleição Amazonino Mendes (PDT) prega ser o balaústre contra a corrupção no Estado e tem usado as redes sociais e propagandas eleitorais para se mostrar indignado com os desvios de milhões da saúde pública, usa descaradamente em sua campanha eleitoral a estrutura de órgãos tão importantes para atender as demandas do povo, como a Secretaria de Justiça e os PACs (Pronto Atendimento ao Cidadão), tudo mantido com com dinheiro público – ler pago com dinheiro do nosso bolso e que deveria ser convertido em serviços para a população.

As ações com uso da máquina pública pró-Amazonino aconteceram desde o primeiro turno das eleições – no qual o governador perdeu para o jornalista e estreante no mundo político, Wilson Lima (PSC) – e se intensificaram no segundo turno da disputa, lembrando uma premissa muita usada no mundo político do qual Amazonino faz parte: “tudo pode, só não pode perder a eleição”.

Além de utilizar a estrutura da Sejusc, especialmente dos PACs, os servidores comissionados são coagidos a participar de bandeiradas, caminhadas, distribuição de santinhos e, até mesmo, utilizar suas redes sociais para divulgar as ações e atos da campanha de Amazonino Mendes. E os servidores ainda tem que ter tudo registrado nas redes sociais – como maneira de comprovar que estão participando da campanha – e nos relatórios das ações realizadas pelo PAC.

Entre os cabos eleitorais de luxo do governador pagos com recursos públicos estão as gerentes do PAC do São José, Marcia Paula de Assis Almeida; do PAC Leste, Maria das Graças de Souza Torres; do sub gerente do PAC São José e técnico de informática da Sejusc, Gileno Monteiro da Rocha; do gerente de informática da Sejusc, Alexandre Matos; além dos servidores que ocupam cargos comissionados Ronaldo Alves Brasil Júnior, Alexandre Henrique da Silva Matos e Raimundo Klinger de Oliveira, ex-coordenador do barco Pai – o Barco Pai a gente não sabe por onde anda, mas o coordenador virou cabo eleitoral. (Veja folha de pagamentos da Sejusc no fim da matéria e galeria de imagens dos servidores fazendo campanha pró-Amazonino) –

As ações são coordenadas pela secretária da Sejusc e presidente estadual do PV, Eliane Ferreira da Silva, e pela secretária-executiva de Cidadania, ex-vereadora Mirtes Salles, ambas correligionárias do governador Amazonino não é de hoje. (Veja estrutura organizacional da Sejusc no fim da matéria)

É até um contra-senso utilizar a Sejusc para fins eleitoreiros, logo a pasta que deveria zelar pela Justiça, garantir os Direitos Humanos – primeiramente dos seus servidores e corpo técnico para depois atender à população -, e promover ações de Cidadania, que nada tem relação com campanhas eleitorais, ainda mais pagas com recursos públicos.

Mas, numa campanha onde um candidato a presidente que se diz “o salvador da pátria” e o rei da moralidade, empregou a ex-mulher, a irmã dela, o sogro, além de sua mulher, o filho… não há mais nem o que ficar boquiaberto com o governador e candidato à reeleição que tem discurso de combate à corrupção e as fraudes, mas instrumentaliza órgãos públicos em seus benefícios. Quanta hipocrisia, meu Deus!

Folha de pagamentos Sejusc.

Organograma Sejusc.