“Quer dizer que profissional de saúde pode morrer?” diz socorrista roubando a cena durante visita do Ministro da Saúde ao Amazonas

O enfermeiro de UTI e socorrista Denilson Villar roubou a cena, durante o lançamento do denominado “Plano Estratégico de Enfrentamento à Covid-19 no Amazonas”. Em meio a discursos e promessas, o enfermeiro subiu ao palco, interrompendo a Live que ocorreu nesta segunda (11), com a presença do prefeito David Almeida, do governador Wilson Lima, do ministro Eduardo Pazuello e várias autoridades federais, estaduais e municipais. Mesmo sem ter acesso ao microfone já que não estava inscrito para falar, Denilson Villar manifestou sua indignação, segundo ele, com o descaso com a vida dos profissionais de saúde, mais precisamente os socorristas.

“Estão afastando a população e a isolando, mas o profissional de saúde que é do grupo de risco continua lá dentro. Então quer dizer que o profissional de saúde pode morrer? Os números que foram dados aqui na coletiva das 52 ambulâncias, nós temos 52 ambulâncias, porém somente estão funcionando no máximo 25 ambulâncias. Com essas 25 ambulâncias não suprimos a demanda que a população necessita, denunciou o enfermeiro.

Em seguida, ele pede a palavra ao governador do Estado e ao ministro Pazuello. No vídeo, dá pra ver o enfermeiro conversando com eles, mas não dá pra ouvir o que é falado. Essas são as últimas imagens vistas, antes de tirarem a Live do ar.

Ainda tinha autoridades pra fazer uso da palavra, mas a transmissão não foi retomada.

Sobrecarga de atendimentos

No dia seis de janeiro, o Coordenador do SAMU, Ruy Abrahim, em entrevista a veículos de comunicação, disse que ambulâncias estariam sendo retidas, pois estavam sem equipamentos, tendo em vista que esses equipamentos de dentro dos veículos estavam sendo emprestados para os hospitais para a realização do atendimento inicial aos pacientes.

“Com isso, o SAMU fica sem equipamentos para novos atendimentos e as ambulâncias ficam retidas. No momento, sete ambulâncias estão retidas por falta de equipamento”.

O coordenador do SAMU diz que a construção de um hospital de campanha é a única maneira de minimizar a sobrecarga do sistema.

“Precisamos ter um hospital de retaguarda para esses pacientes e diminuir a lotação dos prontos-socorros. A meu ver, essa é a única solução para minimizar o problema”, afirmou.