Quero ver como vão explicar o bumbum à mostra!

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Sabe aquelas costuras tão malfeitas, porque não dizer cretinas mesmo, que, no menor movimento feito pela pessoa que a está usando, ela rasga no lugar mais impróprio, deixando o bumbum da pessoa à mostra. Pois foi essa a imagem que me veio à mente depois que soube que a ministra Rosa Weber estabeleceu um prazo de 24 horas para a Câmara dos Deputados prestar informações sobre a aprovação do texto da PEC dos Precatórios, aquela que está sendo chamada também de PEC da Reeleição porque deixa o presidente Messias Bolsonaro fazer o diabo que bem quiser pra se reeleger, inclusive dar calote, pedalar e furar o teto de gastos.

No caso da imaginação fértil da minha cabeça, o problema é que a “costura” feita às pressas pelo presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP-AL) e a trupe de parlamentares federais para fazer jus aos favores milionários concedidos pelo presidente Bolsonaro, ficou tão cretina e malfeita, que deixou todos de calça na mão e bumbum de fora.

O bumbum de fora é a prova de que a “costura” foi tão cretina e malfeita que a PEC dos Precatórios, ou melhor dizendo, PEC da Reeleição, só foi aprovada por apenas quatro votos a mais que o necessário – 312 votos – porque Lira cometeu irregularidade gritante de considerar o voto de parlamentares que nem estavam na Câmara Federal, nem mesmo no Distrito Federal, sequer estavam no Brasil.

Na verdade, estavam há quilômetros de distância, em missão oficial na CPO26, conferência mundial do clima, realizada em Glasgow, na Escócia. Na ação que pede a anulação da votação da PEC e deu origem à manifestação da ministra Rosa Weber, ingressada por parlamentares federais junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), os deputados demonstram que, de acordo com Regimento Interno da Casa Legislativa, o parlamentar que estiver em “missão com caráter diplomático ou cultural” deve se licenciar e, por isso, não pode votar matérias analisadas em plenário.

A prova da imoralidade do “bumbum à mostra” com a votação da PEC dos Precatórios é que os parlamentares que questionam os atos do presidente Arthur Lira e dos aliados do governo Bolsonaro, não conseguiram de jeito algum, a lista de deputados que mesmo estando em missão oficial, votaram remotamente a favor da PEC. Mas, eu quero ver negar essa lista pra ministra do STF, né mesmo?

Mas o show de bizarrices do “bumbum à mostra” na votação da PEC dos Precatórios não parou no voto de quem estava na COP26, na Escócia. O texto final que foi levado a votação, a denominada emenda aglutinativa, que reunia todas as emendas (sugestões de alterações) que foram apresentadas à matéria ao longo da tramitação na Casa Legislativa, foi apresentado antes mesmo das outras emendas que lhe serviam de base.

Pra se ter uma ideia do quanto a “roupa foi mal costurada”, a emenda aglutinativa foi apresentada às 21h05m e as emendas que dariam suporte às mudanças, foram apresentadas às 21h55m. De acordo com os parlamentares federais, a manobra fere os princípios regimentais e a Constituição. E bom lembrar, que tudo feito na calada da noite.

Agora resta saber, se a “escuridão” do trabalho noturno ou qualquer outra justificativa, vão fazer a ministra deixar de ver que o “bumbum ficou a mostra” na “costura” malfeita do presidente da Câmara Federal e de seus aliados, deixando brasileiros envergonhados e indignados.