Radar captou tudo que você quer saber sobre a morte de Alexandre e a polícia não conta; crime político delegado descarta (ouvir áudio)

Alexandre e preso capa

Já estão presas três pessoas acusadas de envolvimento na morte do militante de oposição ao Governo do Estado e membro da juventude do PDT, Alexandre César Gomes, 33, cujo corpo foi encontrado na Avenida dos Oitis, principal via de acesso ao bairro Puraquequara, no dia 13 de fevereiro desse ano. Alexandre foi morto com sinais de execução, um tiro na nuca de pistola calibre ponto 40, arma de uso exclusivo da polícia. E um dos homens presos sob acusação de envolvimento na morte de Alexandre é exatamente um policial militar, cabo lotado no Comando de Policiamento do Interior (CPI), Edmilson Pimentel Rodrigues. Um segundo indivíduo supostamente envolvido na morte de Alexandre, é Tiago dos Santos Nascimento, 26, que atuaria no Movimento Democrático Estudantil (MDE) junto com o terceiro acusado, que também está preso, o presidente do MDE, Ildercler Ponce de Leão, 51 – velhinho pra ser líder estudantil, né gente?

Alexandre 3Ponce de Leão também liderou, durante a campanha de 2014, um tal de movimento da juventude pró-Melo e durante o julgamento do governador no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por crime eleitoral, estava à frente de manifestações num movimento denominado “Fica Melo”. Ponce de Leão, em frente ao TRE, liderava um grupo que ele apontava como sendo de estudantes, mas o que se dizia a boca pequena é que eram pessoas trazidas de ônibus da periferia da cidade ao preço de R$ 50, 00 (cinquenta reais cada uma).

Alexandre 1Durante a campanha à reeleição do governador, Ponce de Leão gostava de demonstrar sua estreita relação com o irmão do governador, Evandro Melo, em textos e fotos que postava em seu Facebook, e com uma cara de quem não está lá muito normal e um discurso meio tresloucado, publicava vídeos xingando os adversários do governador de tudo que é ofensa – os vídeos estão no Youtube, tá gente? “

Descartando crime político

Mas, apesar dessas ligações políticas do presidente do Movimento Democrático Estudantil (MDE),  Ponce de Leão, com a cúpula do Governo de Melo, e mesmo dizendo que as investigações estão apenas começando e que não faz pré-julgamentos, o titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros, Ivo Martins, já fez seu julgamento, quando descarta de antemão qualquer possibilidade de crime político e afirma não ter qualquer relação com o fato de Alexandre liderar manifestações contra o Governo ou do ativista do PDT ter sido assassinado por represália política. “O crime não possui nenhuma relação com o Governo do Estado ou qualquer outro governo. É importante destacar que não há qualquer prova cabal em relação a isso. O que estamos fazendo aqui não é estabelecer pré-julgamento, mas sim, a colheita de informações necessárias para consubstanciar o inquérito e fornecer elementos para o titular da ação penal”, afirma Martins.

Mesmo com um discurso um tanto de “caso encerrado”, o delegado explica que há mais duas pessoas suspeitas na trama da morte de Alexandre que ainda estão sendo procuradas, assim como acredita que os três acusados, presos temporariamente, vão abrir a boca e contar os motivos para o assassinato. “O caso não se encerra aqui. Muito pelo contrário, ele efetivamente será aprofundado a partir deste momento, com as oitivas e informações que serão obtidas com esses três que já estão presos”, afirma o delegado.

Ivo Martins aponta para “desentendimentos partidários ou dentro do movimento estudantil” como motivação para o crime. No seu entendimento seria uma “queima de arquivo” – quando alguém sabe demais. Pelo menos uma dessas motivações não encontra consistência quando se leva em consideração que os três acusados não são membros do PDT, sigla da qual Alexandre fazia parte. Essa alegação do delegado, inclusive, é refutada pelo presidente do PDT, deputado federal Hissa Abrahão, que em nota enviada à imprensa, nesta quinta-feira (07) rechaçou uma querela partidária para a morte de Alexandre.

Negócio milionário        

Alexandre 2O Radar decidiu não postar logo de cara a matéria sobre a prisão dos acusados de envolvimento no assassinato de Alexandre, sem antes ir atrás das informações que não são ditas em entrevistas coletivas dadas pela polícia – êta saudade do repórter Chico Pacífico. O Radar decidiu captar informações com pessoas do movimento estudantil, que conviviam com Alexandre e também com Ponce de Leão, assim como ouvir fontes das hostes governistas e da polícia.

E aí aparece uma história primeiro protagonizada por Ponce de Leão. Conta-se que ele teve mulher e filho mortos num acidente aéreo e que, antes mesmo da Justiça se manifestar sobre um processo de indenização para as vítimas do acidente, teria feito um acordo com a companhia aérea proprietária do avião. O acordo girava em torno de dinheiro e passagens aéreas que Ponce de Leão utilizou para fazer negócios no MDE: quem tirava carteira de estudante no MDE, não por acaso a “carteirinha” mais cara expedida por uma entidade estudantil, conseguia comprar passagens aéreas a preços com descontos de 30 até 40%.

Nesses negócios, Alexandre, assim como outros estudantes ligados ao movimento estudantil – não importando se do MDE ou não –  trabalharam para Ponce de Leão com a expedição de carteira, o que fazia com que tivessem direito à comissão. Só que os recursos da expedição de carteiras iam direto para o MDE e Ponce de Leão estava retendo esse dinheiro das comissões, passava quanto e quando queria. Com Alexandre, tinha uma dívida de R$ 7 mil reais.

Paralelo a essa história, Ponce de Leão, trabalhou na campanha do governador José Melo sob a promessa de que, após o governador ganhar, haveria a aprovação de uma Lei que daria exclusividade na expedição de carteiras de estudante ao MDE, o que faria da entidade uma mina de dinheiro ainda mais rentável do que com o negócio das passagens aéreas. No ano passado, o Governo bem que tentou, com um projeto apresentado pelo líder do Governo na Assembleia Legislativa do Estado, deputado Davi Almeida, cumprir a promessa feita a Ponce de Leão, transformando o MDE na única entidade estudantil a expedir carteiras de estudante.

Mas, o que o Governo não contava é que a urdidura ia ser atrapalhada pelos deputados Serafim Correa (PSB) e Alessandra Campelo (ex-PC do B e atual PMDB). Alessandra apresentou um projeto aumentando o leque de entidades estudantis que têm o direito de expedir carteira de estudante e Serafim transformou o projeto em uma emenda ao projeto do líder do Governo, expandindo o direito para várias entidades estudantis.

Se vendo sem o negócio milionário da expedição de carteiras, Ponce de Leão teria começado a fazer “negócios sujos” – expressão usada por alguém ligado ao MDE –, usando até de expedientes como pressão e ameaças dentro do movimento estudantil por ser “aliado do governador” – expressão usada por Ponce de Leão” – e do aval de um “padrinho” ligado ao governador do Estado. Alexandre saberia de tudo e teria sido demovido por Ponce de Leão da ideia de contar pra todo mundo sobre os tais negócios sujos, na base do “aviso de que não ganharia nada com isso e não veria mais a cor do dinheiro que tinha pra receber” – isso teria sido dito por Ponce de Leão. “Pra saber que negócios são esses e quem é o padrinho de Ponce de Leão é só ver quem dava dinheiro pra ele e até chegou a pagar, ou ainda paga, o prédio do MDE”, diz uma fonte da entidade estudantil.

O militante incômodo

Nesse momento da nossa narrativa, surge a figura de Alexandre apontado como o mentor do ato político onde um manifestante Hinaldo de castro Conceição jogou notas de dinheiro impressas no governador José Melo, no dia 01 de fevereiro, durante a mensagem governamental de abertura dos trabalhos legislativos, na Assembleia Legislativa do Estado.

“Pegaram, computador, celular e documentos que estavam com Hinaldo, naquela busca e apreensão que fizeram na cada dele, viram que quem, realmente, orquestrou todo o ato contra o governador foi o Alexandre. O cara que arrumou as notas impressas, arrumou as faixas, traçou o plano todinho, como o ato ia ser feito, foi o Alexandre. Ele dava os comandos pros meninos através dos telefones”, conta um militante do PDT , amigo de Alexandre.

E acrescenta:  “Logo após, a apreensão na casa do Hinaldo, os meninos que participaram do ato foram abordados por um carro descaracterizado com caras que fizeram de conta que era um assalto, mas só levaram os celulares. Viram nos celulares toda a orquestração do ato e quem dava a voz de comando. Por isso é que não aconteceu nada com Hinaldo, mas sim com Alexandre”.

Armadilha para Alexandre

E ao ouvir fontes da polícia, que fazem parte das investigações, o Radar chegou à seguinte conclusão: “juntaram a fome com a vontade de comer” – frase usada por um policial. “Pode não parecer até porque eram de grupos políticos opostos, mas Ponce de Leão se dizia amigo de Alexandre. Frequentava sua casa – isso é o que mais estaria magoando a família de Alexandre. Tanto ele (Alexandre) como sua irmã, já tinham trabalhado com Ponce. Por isso, naquela noite, Alexandre foi ao encontro de Ponce de Leão. Teria sido chamado pra receber o dinheiro que Ponce lhe devia, não sabia que estava indo pra morte”, diz a fonte.

Tanto isso é verdade, segundo o informante, que Alexandre saiu vestido informalmente, estava de bermuda, camiseta e sandália, porque ia próximo de casa, como disse à sua mãe. Alexandre mora na Tefé e o MDE fica na Silves, ou seja, perto de sua casa. Alexandre foi atraído para uma armadilha. O matador chegou depois, no mesmo carro que foi visto por uma testemunha no local do crime, uma L200 amarela, e que já foi apreendida pela polícia.

“Juntaram a fome com a vontade de comer. Se livraram do incômodo que era Alexandre e de Ponce de Leão, cobrando a conta da eleição e fazendo negócios escusos usando o nome do ‘padrinho’ do governo. Alexandre está morto e Poncio de Leão está preso”, comenta a fonte (Any Margareth)