Reajuste na conta de luz dos amazonenses entra em vigor neste domingo

 

foto: radar amazônico

 

Com a divulgação do aumento na energia elétrica que passa a vigorar a partir deste domingo (1º), amazonenses estão preocupados com as contas que virão no final do mês. O reajuste médio de 5,31% aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por solicitação da Amazonas Energia, na última terça-feira (27), com validade de um ano, irá atingir cerca de um milhão de unidades consumidoras localizadas no Estado do Amazonas, o que pode acarretar também em aumento de preço dos serviços e produtos em diversos setores.

A primeira proposta de Revisão Tarifária Extraordinária (RTE), apresentada pela concessionária Amazonas Energia no dia 26 de agosto, pretendia aprovar um reajuste médio de 8,5%, sendo 8,9% de reajuste tarifário para a indústria e 8,32% para o consumidor doméstico. A solicitação foi recebida com críticas desde a sua primeira divulgação, tendo em vista a crise econômica instalada no país devido à pandemia do novo coronavírus.

Mas, ao que tudo indica, as reclamações da população contra a concessionária, não se dão apenas por conta da proposta de reajuste. De acordo com o Instituto Estadual de Defesa do Consumidor (Procon-AM), a Amazonas Energia lidera o ranking de reclamações e processos entre janeiro e setembro de 2020. A concessionária teve 1.748 registros no atendimento geral do Procon-AM, além de 815 processos em andamento neste mesmo período.

No dia 19 de outubro, a vereadora Mirtes Salles (Republicanos) revelou, na Câmara Municipal de Manaus (CMM) que havia recebido denúncias de moradoras do Conjunto Viver Melhor II, que acusavam a empresa Amazonas Energia de estar realizando superfaturamento de contas e humilhando os consumidores quando eles decidiam fazer cobranças e reclamações.

Uma dessas denúncias foi apresentada pela dona de casa Maria Luzia Corrêa, que mora com o marido naquela localidade, e paga R$ 450 por mês de conta de luz. Ela conta que chegou a reclamar com a concessionária, mas foi maltratada por um funcionário da empresa.

“Fui reclamar e o rapaz me respondeu que a geladeira era muito velha, por isso, gastava muito energia. Fiquei revoltada e apenas respondi: então me dá uma nova. Isso é um descaso muito grande porque eles não fazem a leitura. Nosso apartamento chegou a ficar um ano fechado e a conta vinha com o mesmo valor”, disse Maria Luzia.

Para a vereadora Mirtes, a situação é uma falta de respeito com os consumidores, o que não pode ser admitido. “Isso é um absurdo. Essas senhoras moram em apartamentos de cinquenta metros quadrados, algumas não têm ar-condicionado, apenas ventilador e pagam uma média, por mês, de quatrocentos e cinquenta reais de conta. Tem morador que chega a pagar mil reais”, afirmou a vereadora naquela ocasião.

Apesar dos protestos da população e pedidos dos parlamentares para que a proposta não fosse aprovada, a Aneel seguiu na contramão dos esforços realizados para minimizar os impactos econômicos causados na vida dos amazonenses por conta da pandemia.  A tarifa de energia do Amazonas que já era a terceira mais cara do país antes do reajuste, agora fica ainda mais cara.