Reforma da Previdência: uns explicam voto, outros comeram abiu

Numa votação que entrou pela noite a dentro no último dia 10, – como eles gostam da calada da noite, né gente? – o plenário da Câmara dos Deputados aprovou em 1º turno, o texto-base da Reforma da Previdência (PEC 6/19). O placar terminou com 379 deputados a favor e 131 contra. Dos oito parlamentares da bancada federal do Amazonas, apenas José Ricardo (PT-AM), votou contra à PEC proposta pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), além de analisada e votada por uma Comissão Especial presidida pelo deputado federal amazonense Marcelo Ramos (PR).

Em entrevista ao Radar, nessa última quarta-feira (17), o único deputado da bancada do Amazonas que votou contra a reforma, o petista José Ricardo afirmou que o Governo Federal diz que é necessário mudar as regras das aposentadorias para equilibrar as finanças e não quebrar o País e a própria previdência também, mas na sua avaliação, esse discurso não se sustenta na prática.

“Se observar, nos últimos dez anos a arrecadação pública federal bancou a assistência social e a previdência, garantidas pela Constituição brasileira. Agora se a arrecadação está menor é porque o desemprego aumentou e o governo pode melhorar sua arrecadação ao ativar a economia para gerar emprego. Se a empresa fatura mais, ela vai contribuir mais e poderá contratar mais pessoas e, ao contratar mais, aumenta o recolhimento da Previdência. Essa é a lógica econômica que deveria prevalecer e não fazer agora, essa chamada reforma que na prática significa que as pessoas terão que trabalhar mais anos para se aposentar. Ou seja, é um projeto muito ruim para a maioria da população”, declarou.

Para ouvir aqueles que votaram a favor, o Radar entrou em contato com os sete deputados federais que disseram SIM à Reforma da Previdência para esclarecer a posição de cada um. No entanto, o próprio presidente da Comissão Especial da Câmara que analisou e aprovou a proposta da Reforma da Previdência, o deputado federal Marcelo Ramos (PR-AM), não enviou sequer uma linha explicando sua defesa do projeto – o que ele denominou publicamente de sua missão cumprida – e as razões de seu voto favorável às mudanças na previdência social dos brasileiros. Assim como Ramos, também comeram abiu os deputados Átila Lins (PP-AM) e Silas Câmara (PRB-AM).

Confira as justificativas dos deputados do Amazonas que votaram a favor do projeto de reforma da previdência e não comeram abiu:

Capitão Alberto Neto (PRB): “Votei a favor da Previdência, por entender que o País está quebrado. Nosso gasto previdenciário é muito alto e isso impede que o Brasil tenha novos investimentos. Para se ter uma ideia, nós gastamos três vezes mais com a Previdência do que se gasta com saúde, educação e segurança, tudo junto. O País já começa o ano com uma dívida de R$ 200 bilhões, então nós precisamos consertar isso e enviar uma mensagem para o resto do mundo, que o Brasil não vai quebrar!. Que vamos gerir o País de forma responsável e eu tenho a certeza que vão surgir novos investimentos. A Bolsa de Valores já está em alta, o dólar começou a cair e isso foi um sinal que estamos no caminho certo de um País, que sabe como gastar e investir em seu povo.”

Bosco Saraiva (Solidariedade): “A Reforma da Previdência é uma medida extremamente necessária para este momento no Brasil. Nós estamos com nossa economia paralisada, nossos investimentos em decréscimo e a nossa indústria reduzindo sua capacidade de produção. Pode-se atestar isso, inclusive, na última pesquisa feita IBGE com relação à produção regional da indústria e, portanto, a Reforma da Previdência se faz urgente e necessária para que possamos iniciar o processo de reequilíbrio das contas públicas. E sendo assim, o Estado possa ser reaquecido, primeiro com a expectativa de desenvolvimento da economia. Na sequência, o equilíbrio das contas públicas que é fundamental que todo esse ambiente de negócios da economia brasileira possa prosperar. Esses motivos e outros mais específicos são os que movem, na verdade, o pensamento do Congresso Nacional, na sua maioria e também do povo brasileiro, de todos os setores da sociedade para que se faça com urgência a Reforma da Previdência.”

Pablo Oliva (PSL): “A Saúde financeira do nosso País depende das reformas que estão em andamento. O atual Governo Federal recebeu o País quebrado e com uma dívida de Previdência impagável. Nesse ponto, a Reforma da Previdência trará equilíbrio financeiro ao País. O que, por consequência, propiciará mais investimentos no Brasil. Isso sem falar, nas gerações futuras que terão a possibilidade de usufruir dos benefícios previdenciários, que estavam em risco de acabar se o modelo não passasse por uma reforma.”

Sidney Leite (PSD): “A Reforma da Previdência é necessária. Mais de 50% do orçamento brasileiro, hoje gasto, é consumido com a Previdência. Votei naquilo que acredito, que é não comprometer o trabalhador rural, a grande massa de trabalhadores e quem está na base da pirâmide e os beneficiários do BPC. Votei para quebrar privilégios e que os servidores públicos possam ser enquadrados no regime geral da Previdência. É lógico que a reforma da Previdência aprovada não é a que eu gostaria, mas ela é necessária nesse momento. O discurso de que a reforma é contra os trabalhadores é um discurso simplista e oportunista. Além disso, sou contra incluir nesta PEC da Previdência os Estados e Municípios porque cada Assembleia Legislativa e cada Câmara Municipal tem que definir no que é melhor para seus estados e municípios.”