Região Norte registrou 18 atentados e assassinatos políticos entre 2016 e 2020, aponta estudo

Foto: Marcos Serra Lima

A Região Norte registrou 18 assassinatos e atentados políticos nos últimos quatro anos. É o que aponta a pesquisa ‘Violência Política e Eleitoral no Brasil’, lançada recentemente pelas organizações ‘Terra de Direitos e Justiça Global’.

O Pará é o Estado com maior número de ocorrências na região, apresentando 11 registros. Nacionalmente, o Pará divide com Minas Gerais, Maranhão e Ceará a segunda colocação entre os Estados com maior número de assassinatos e atentados a políticos.

Na região Norte, Tocantins tem três casos registrados, e Roraima, Acre, Amazonas e Rondônia, um caso cada.

No total, o estudo mapeou em todo o país, entre janeiro de 2016 e agosto de 2020, 125 atos violentos contra a vida. Uma média de, pelo menos, 27 casos de ataque à vida de mandatários eleitos e pré-candidatos por ano.

Crimes sem solução

De acordo com a pesquisa, cerca de 63% dos crimes de assassinatos e atentados contra políticos, no Brasil, permanece sem solução.

Um exemplo disso, é o caso do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, em março de 2018, crime que, como a maioria dos pesquisados, permanece sem solução. Com o assassinato da vereadora e a polarização evidenciada nas eleições de 2018, a violência política ganhou destaque no país.

A pesquisa aponta que, os atos de violência política se tornaram um fenômeno que o Brasil não via com tanta intensidade desde o fim da ditadura militar.

Cidades do interior

A análise aponta ainda que assassinatos e atentados são um fenômeno presente no Brasil como um todo, mas ao longo do tempo tem apresentado  tendência à interiorização.

Nos exemplos mapeados, 83% dos atentados e assassinatos aconteceram em cidades do interior do país. Entre as principais vítimas estão vereadores eleitos e pré-candidatos a vereadores, que corresponde a 61%, e prefeitos e vice-prefeitos eleitos e pré-candidatos, que somam 26% dos casos.

Minorias são as mais afetadas

De acordo com a coordenadora da Terra de Direitos, Élida Lauris, os dados da pesquisa são contundentes e expressam uma violência cotidiana na vida política do país, especialmente contra alguns segmentos, por meio do racismo, sexismo e LGBTfobia, afetando a participação política. Segundo a coordenadora, a análise aponta ainda a falta de uma cultura de enfrentamento e responsabilização da violência política.

“É necessário reconhecer a gravidade dos crimes e agilizar as investigações e os julgamentos. A violência é utilizada para garantir o controle de um grupo hegemônico sobre o sistema político – no caso brasileiro, homens, brancos, cristãos, de classe alta, que se identificam como heterossexuais. O controle do poder por atores masculinos que pertencem ao grupo cultural, étnico, religioso e econômico dominante implica que a violência seja peça fundamental para garantir que o poder político não seja exercido por grupos e indivíduos não hegemônicos”, reforçou Élida.

Outros casos

O levantamento também mapeou 85 casos de ameaça, 33 agressões, 59 ofensas com conteúdo discriminatório, 21 invasões e 4 tentativas de criminalização no período pesquisado.

As ameaças e, principalmente, ofensas foram ampliadas no ano de 2018, apresentando ainda um corte de gênero muito forte, tendo as mulheres como vítimas e quase nunca como agressoras, segundo apontou a pesquisa.

No total, o estudo identificou 327 casos ilustrativos de violência política. Em 2019, foram registrados, aproximadamente, três vezes mais casos em relação a 2016. Em 2020, até 1º de setembro, e antes do período eleitoral, houve aumento de 37% dos casos em relação a 2016.

*Com informações da Assessoria.