Reitor rebate matéria do Radar, mas não desmente denúncias de corrupção na UEA

Por meio de uma nota enviada ao Radar, por sua assessoria jurídica, o Magnífico Reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Cleinaldo Costa, não negou as denuncias sobre indícios de corrupção, como contratação de serviços superestimados, desnecessários, obras pagas e não realizadas e ainda que não foram executadas como estavam previstos em contrato. Ele centrou suas queixas em dois pontos da matéria publicada na seção Na mira do Radar, intitulada “Sindicância na UEA aponta corrupção até na compra de vaso sanitário’

Em sua primeira contestação, Sua Magnificência nega que tenha instaurado uma segunda Comissão de Sindicância para apurar o que já tinha sido investigado pela primeira. Ele diz que, a primeira, foi comissão de sindicância e a segunda, é uma comissão de Processo Administrativo Disciplinar (PAD), porém não explica porque, enquanto a comissão de sindicância  precisou de 30 dias para apurar inúmeras suposta irregularidades, numa investigação que gerou relatório de 24 páginas, a comissão de Processo Administrativo Disciplinar não chegou a nenhuma conclusão, mesmo passados quase oito meses – a comissão foi em criada em 01 de agosto do ano passado.

Como mostramos em matéria anterior, através de duas portarias assinadas pelo Magnífico Reitor, o PAD tem sido  prorrogado ad aeternum (pra sempre), primeiro no dia 29 de setembro por mais 60 dias, depois numa portaria assinada no dia 01 de dezembro mas que, estranhamente, dizia que a prorrogação de mais 60 dias passava a valer quase um mês depois, a partir do dia 31 de janeiro. E passou janeiro, fevereiro, março… e o  Magnífico reitor foi reeleito e nem se fala nas sérias conclusões da comissão de sindicância sobre corrupção naquela instituição de ensino superior que envolvem funcionários muito próximos do reitor, como sua coordenadora de campanha eleitoral e pró-reitora de Interiorização da UEA, Samara Barbosa, cargo criado por determinação do então governador José Melo e implantado por Cleinaldo Costa.

Outro ponto contestado pelo Magnífico Reitor na matéria do Radar é que ele nega ter dito que, passando por uma crise financeira, a UEA corria o risco de fechar as portas no ano passado. Só que essa contestação do reitor, contraria diversos veículos de comunicação e suas matérias-  mas isso é uma história que o Radar ainda vai contar.  Levada em conta a contestação do Magnífico Reitor, jornalistas de A Crítica, BNC, AMPOST e Portal do Holanda ou erraram ou mentiram – o que acha, minha gente?

A fala do reitor ganhou grande repercussão, na época, entre a sociedade e os deputados, mas hoje, ele nega que tenha dito tal coisa.

Leia a nota na integra

Diante da publicação da matéria “Sindicância na UEA aponta corrupção até na compra de vasos sanitários”, a Assessoria de Comunicação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) manifesta-se, neste momento, ressaltando que não foi consultada em nenhum momento durante a produção deste texto. 

ainda assim, destaca, nesta oportunidade, que considera gravíssimo o fato de que há sérias acusações feitas à gestão superior da universidade e à pessoa do reitor da instituição, mas que as questões merecem ser esclarecidas, sobretudo em virtude do respeito permanente que temos aos veículos de comunicação que trabalham em busca da verdade, da imparcialidade e das informações corretas e, também à sociedade em geral que tem na UEA um exemplo positivo e em favor da promoção e da formação qualificada de profissionais de nível superior no Amazonas.

Os fatos são que, sobre a denúncia formulada por servidor referente ao processo administrativo 2017/00015950, o reitor cumpriu sua função de gestor quando abriu sindicância e, posteriormente, instaurou processo administrativo disciplinar (PAD). Não procede a informação que foi criada uma nova comissão de sindicância. O que foi feito, terminado o trabalho da única comissão de sindicância instaurada para apuração da denúncia, é que, como resultado da conclusão do trabalho desta comissão, foi instaurado o PAD, conforme determina a legislação.  

É muito importante destacar que as informações pertinentes a qualquer sindicância corre administrativamente em sigilo. Por parte da gestão superior e da essência da UEA, há todo empenho no sentido de que os fatos sejam esclarecidos e que a universidade siga seu curso, sempre primando pelo crescimento e seu desenvolvimento, levando em consideração seus alunos, professores e servidores técnicos-administrativos.

Sobre à fala do reitor Cleinaldo de Almeida Costa, durante a abertura da audiência pública promovida pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), para tratar da base nacional comum curricular, dia 7 de julho de 2017, em Manaus:

1.1   Em nenhum momento, o reitor afirmou que a UEA fecha suas portas até o final do ano de 2017.

1.2    Ele destacou que o momento em questão era de crise e difícil, mas que a responsabilidade de repensar o país está com os educadores e com os que fazem política pública de educação. Para o reitor, a educação deve ser a primeira prioridade deste país.

1.3   Na ocasião reitor disse que a UEA, à semelhança de outras instituições de ensino superior no país, teve seu orçamento ‘solapado’ por dois anos e, em 2017, teve uma retração orçamentária de um terço de tudo que deveria ter recebido.

1.4   Conforme o reitor, o risco da UEA não chegar ao final do ano de 2017 com suas contas em dia era gravíssimo.

1.5   Contudo, destacou que os salários dos servidores sempre estiveram assegurados e que jamais sofreram um dia de atraso.

1.6 Na época, ele externou sua preocupação com os valores que deveriam ser destinados ao pagamento das contas referentes ao fornecimento de energia, segurança, limpeza e demais contas públicas, que poderiam faltar.

1.7   Com relação ao interior, o risco era, segundo ele que, se a política de “inanição financeira” fosse mantida, mais de 200 salas de aulas seriam desocupadas em 2018. Seriam ao menos oito mil alunos na universidade.

1.8   Nas palavras do reitor, a sociedade precisava saber disso e que todos deveriam pensar com seriedade e defender a UEA desse desmonte.

1.9 Por fim, utilizando-nos das palavras do próprio reitor, o chamamento “não foi para o conflito exclusivamente político, mas para elevar o debate político, centralizar as ideias no que é estratégico para a educação no Brasil e fortalecer a condição de realmente reformar a educação para os próximos anos para o benefício da população brasileira.

Quanto às informações que dizem respeito à relação da UEA com os deputados e com a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), reforçamos o total respeito pelo trabalho realizado não somente pelos deputados, como também pela ALEAM. Em julho de 2017, além de ter feito as colocações pontualmente apresentadas acima, o reitor da UEA, acompanhado da equipe da gestão superior também esteve na Casa Legislativa para esclarecer os fatos que vieram à tona com a fala realizada no dia 7 de julho de mesmo ano.