Reitoria da UEA paga R$ 6 milhões para empresa de tecnologia e lavanderia fazer obras. Olha o que deu! (ver vídeos)

 

Vídeos que chegaram ao Radar mostram um verdadeiro diluvio caindo do teto de salas no prédio da Escola Superior de Artes e Turismo (ESAT) na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Como dá pra ver nos vídeos, a água cai sobre computadores e documentos, danificando equipamentos e molhando documentos de processos da comunidade acadêmica. Os funcionários têm que trabalhar em meio ao aguaceiro enquanto servidores tiram a água com rodo de salas alagadas. Esse foi o resultado da contratação da empresa Axtron Serviços Tecnológicos Ltda pelo magnífico reitor da Universidade do Amazonas, Cleinaldo Costa, pra fazer obras nos prédios da UEA.

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No documento de abertura da empresa que está no site da Receita Federal, a Axtron tem como atividade principal “atividades de monitoramento de sistemas de segurança eletrônico” e suas denominadas “atividades secundárias” vão desde instalação de ares-condicionados até serviços de lavanderia – pelo menos água em abundância já tem pra lavanderia, né gente? (ver Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica).

O contrato com a Axtron está datado de julho de 2015, no valor de quase R$ 6 milhões de reais (ver contrato no final da matéria), o que significa que a obra no prédio da ESAT se arrasta há mais de dois anos, até hoje não foi entregue oficialmente e o resultado da má prestação do serviço está incontestavelmente comprovado nos vídeos – uma imagem vale mais que mil palavras, né meu povo?

E essa não é a primeira vez que o Radar aponta as escolhas esquisitíssimas – pra não dizer coisa bem pior, né gente? – de sua magnificência o reitor da UEA na contratação de empresas que prestam péssimos serviços à comunidade acadêmica. As estranhas relações comerciais e até eleitorais de Cleinaldo Costa com empresas pagas com dinheiro público são claras no caso RIPASA

MPE Investiga obra

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E pra não dizer que os fatos narrados pelo Radar não passam de denúncia vazia, o Ministério Público do Estado (MPE-AM) decidiu “instaurar procedimento preparatório (…) tendo como objeto a apuração de possíveis irregularidades” na contratação da Axtron. A portaria está datada de 07 de dezembro do ano passado e assinada pelo promotor da 78ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção do Patrimônio Público, Ronaldo Andrade.

No documento do MPE está descrita também mais uma característica do magnífico reitor da UEA: se sentir acima da lei e não prestar informações seja pra quem for. “Não obtenção dos esclarecimentos pertinentes em sede apuração preliminar, em razão do não atendimento das solicitações exaradas, por parte da UEA”, aponta o promotor público em uma de suas alegações para abertura do procedimento investigativo.

Vale lembrar, que vários deputados estaduais, sempre que há reclamações ou denuncias contra o reitor Cleinaldo Costa recebem um sonoro “não” nos pedidos de informação feitos à reitoria, junto com um “passa fora” e um “não tô nem ai”. Pelo que tudo indica o mesmo aconteceu com o Ministério Público. Numa dessas situações, o deputado estadual Luiz Castro chegou a dizer em alto e bom som, em uma reunião na Assembleia Legislativa, que já tinha pensado em denunciar sua magnificência o reitor por improbidade administrativa – por que será que nenhum deputado faz isso, hein meu povo?

Reitor pune o denunciante

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Tendo o Ministério Público do Estado (MPE) no seu calcanhar, o magnífico reitor Cleinaldo Costa, especialista em “fórmulas mágicas” pra ganhar eleições e manobras pra enganar os órgãos de controle externo da administração pública, criou uma tal de uma sindicância para investigar a si próprio, passou a responsabilidade pela contratação da Axtron para a Prefeitura Universitária, onde ele manda e desmanda, e puniu com afastamento de 30 dias o servidor que apontou as ilicitudes no contrato com a empresa e as irregularidades visíveis na obra. Ou seja, quem fez o certo, foi perseguido como errado e o dinheiro público, junto com a água que cai do teto, escorreu pelo ralo.

Contrato UEA