Respiradores comprados em loja de vinhos pelo Governo não são adequados para UTIs, diz Cremam

Os respiradores comprados pelo Governo de uma loja de vinhos por R$ 2,9 milhões não são indicados nem mesmo pelo fabricante – a empresa Resmed – para o uso em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), segundo relatório apresentado pelo Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) após inspeção no Hospital Nilton Lins.

“Respirador Stellar 150 da Resmed: incompleto sem filtro bacteriano e válvula de fuga e que segundo o manual do fabricante não é adequado para uso de suporte a vida e está contraindicado em pacientes que não possam suportar mais do que breves interrupções na ventilação”, apontou o conselheiro do Cremam que assina o relatório, Ricardo Góes Filgueiras.

O presidente do Cremam, José Bernardes Sobrinho, afirmou que o equipamento não serve para as UTIs.

“É melhor colocar um cateter no nariz do paciente a usar isso que eles chamam de respirador”, afirmou ele ao explicar que o equipamento comprado pelo Governo é utilizado por pessoas com apnéia do sono.

Além de comprar respiradores inadequados e incompletos, o Governo não garantiu a estrutura mínima de oxigênio e ventilação no Hospital Nilton Lins. No local, a rede de oxigênio está sem conexão e não há equipamentos para aspiração ou vácuo do sistema.

Toda inspeção foi acompanhada pela secretária estadual de Saúde, Simone Papaiz, mas a Susam não se manifestou sobre os dados apontados.

O Cremam informou toda situação encontrada no Hospital Nilton Lins ao MPE – um dos órgãos legitimados para pedir, por exemplo, que o local não seja mais utilizado.

Sem estrutura- O hospital – que deveria ser referência no tratamento de pacientes com covid-19 – foi desqualificado pelo Cremam pela falta de estrutura para manter o local em pleno funcionamento. (Veja o relatório completo no final da matéria)

“O Conselho não recomenda e não aprova o funcionamento do Hospital Nilton Lins”, disse o presidente do Cremam, José Bernardes Sobrinho.

Segundo o Cremam, o hospital tem um ambulatório com três salas; uma sala vermelha destinada para urgências com quatro leitos, mas apenas um respirador funcionando e um carrinho de parada com medicação incompleta; três salas de observação com 13 leitos, mas sem monitores ou demais equipamentos; 61 leitos na enfermaria; 16 leitos de UTI, mas nenhum funcionando e dois equipamentos de reanimação com medicação incompleta. (Veja fotos no final da matéria)

Nem mesmo sabão ou papel toalha há nas pias para limpeza adequada das mãos.

O relatório aponta, ainda, que não há equipamentos de proteção individual suficientes para os profissionais que atuarão na unidade e que faltam, entre outros, conexões dos ventiladores/traqueia e uma central de esterilização no local.

Veja fotos divulgadas no relatório do Cremam:

 

Leia o relatório na íntegra