Rio e SP iniciam disputa para receber GP do Brasil a partir de 2021

Com o atual contrato do GP do Brasil acabando no final de 2020, São Paulo e Rio de Janeiro já começaram com uma disputa para ver quem vai ficar com o evento de Fórmula 1 a partir de 2021.

Depois de receber o chefão da categoria, Chase Carey, há duas semanas, o governador eleito do Rio, Wilson Witzel (PSC), afirmou ter fechado um compromisso para levar a corrida à capital fluminense. Já o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, indicou que tentará manter a prova na cidade após o fim do contrato atual.

As duas candidaturas, contudo, encontram o mesmo entrave: os chefes de equipe têm pressionado a Liberty Media, empresa que controla a F-1, a tirar do calendário as corridas que pagam as menores taxas. Em um acordo feito ainda nos tempos de Bernie Ecclestone, o GP do Brasil é subsidiado, ou seja, não paga a taxa total que consta no contrato original.

Segundo apurou a reportagem, a quantia não passaria dos US$ 10 milhões (R$ 38,2 milhões). O pagamento médio dos GPs é de cerca de US$ 25 milhões (R$ 96 mi), sendo que provas em destinos com pouca tradição no automobilismo, como Azerbaijão, chegam a pagar mais de US$ 60 milhões (R$ 230 mi). Assim, o Brasil é o segundo país que menos paga para receber a corrida, atrás apenas de Mônaco que, por seu valor histórico, não faz nenhum pagamento.

“A matemática financeira do GP é complexa: existe um subsídio por parte da FOM, caso contrário, não seria possível”, ressaltou o vice-presidente de marketing do GP Brasil Gabriel Rohonyi à reportagem.

A pressão das equipes visa cobrir um buraco nas contas da F-1 que está sendo gerado pelo aumento de gastos da Liberty, que vem investindo principalmente na cobertura via internet e mídias sociais. O dinheiro arrecadado com as taxas pagas pelos circuitos são a grande fonte de renda da categoria, juntamente dos direitos de transmissão (cuja receita vem diminuindo justamente devido ao avanço da internet).

Essa quantia é dividida entre as equipes, ou seja, há uma relação direta entre o pagamento de taxas mais altas e o orçamento dos times. Um novo contrato do GP do Brasil, portanto, passaria pela revisão da taxa.

RIO OU SP

Chase Carey reiterou à reportagem o desejo da F-1 de continuar no Brasil, única prova realizada na América Latina. Isso, especialmente depois da Liberty Media ter tentado promover o retorno da Argentina ao calendário, o que não acabou saindo do papel por falta de dinheiro.

“É um país de muita tradição no automobilismo, muita paixão dos torcedores. E a Fórmula 1 quer um compromisso de longo prazo com o país.” Mas uma decisão de qual cidade receberá o evento está longe de ser tomada.

Isso porque nenhuma das cidades, no momento, pode dar as garantias necessárias à Liberty Media. No Rio, o autódromo de Deodoro ainda não saiu do papel. Trata-se de um projeto assinado por Hermann Tilke, que fez a maioria das pistas modernas da F-1, em um terreno cedido pelo governo. No momento, ainda está sendo discutido o edital para o projeto, visando a atração da iniciativa privada para tocar a obra.

Já do lado de São Paulo, há o projeto de privatização do autódromo de Interlagos, mas tanto na visão dos organizadores, quanto do prefeito, isso não impede a negociação de um novo contrato, uma vez que a proposta é vender o terreno com a garantia de que o circuito seja mantido.

Pelo contrato atual, o Brasil vai receber a F-1 por pelo menos mais dois anos, em Interlagos.

Fonte: Folhapress.