Rio Negro fica estável após semanas de avanço das águas

Foto: Marhia Bessa/ Radar Amazônico

Após meses com o avanço diário do nível, o rio Negro registrou estabilidade na última semana. As águas estão “paradas” desde o último dia 5 de junho.

A cheia de 2021 é a maior desde 1902 e já causou diversos prejuízos aos moradores da capital e interior do Amazonas.

Mais de 455 mil pessoas da  foram atingidas pela cheia, apontam dados oficiais da Defesa Civil.

Prejuízos

Em entrevista ao Radar, a economista Desine Kassama ressaltou os prejuízos sofridos pelos municípios afetados pela cheia, principalmente aos pequenos produtores rurais.

“A perda da safra das plantações e de alguns animais são o maior prejuízo. Diversos pequenos produtores rurais que sobrevivem da venda de frutas, legumes e verduras perderam suas plantações com o avanço das águas”

Na capital, a cheia, para além dos problemas econômicos, evidenciou as falhas de infraestrutura de bairros que ficam próximos ao rio Negro e a falta de preparo logístico para enfrentar a cheia.

A falta de agilidade nas construções de pontes dos bairros foi um dos maiores problemas.

Moradores transitam por pontes estreitas e dividem espaço com dezenas de lixos
Foto: Marhia Bessa/ Radar Amazônico

Centenas de moradores sofreram sem poder contar com a infraestrutura adequada e tiveram que construir o meio de locomoção gastando o próprio dinheiro.

O Radar flagrou essas situações em alguns bairros de Manaus. Em um deles, uma moradora ressaltou os perigos causados pela falta de estrutura.

“Já presenciei diversos acidentes nessas pontes que são antigas e precisam ser substituídas. Crianças e alguns adultos de vez em quando caem nessa água suja”, apontou.

Pontos comerciais importantes como o centro de Manaus também foram afetados, diversas lojas tiveram que implantar marombas (espécie de jangada) para não perderem seus produtos e terem como se locomover entre as águas.

Além disso, a dinâmica de trânsito mudou devido alguns ônibus não conseguirem passar por vias alagadas. Com isso, diversos trabalhadores foram afetados com a oferta das linhas que foram remanejada para outras vias. 

Os ônibus tiveram que ser remanejados para outras vias devido ao alagamento no centro de Manaus.
Foto: Marhia Bessa/ Radar Amazônico

Desamparo

Uma das medidas para amenizar os prejuízos dos moradores que tiveram suas casas alagadas anunciadas pelos governos municipal e estadual foi o pagamento do auxílio-aluguel no valor de R$ 300 (cada).

Contudo, muitos moradores afirmam nunca terem tido acesso ao valor.

“O governador anunciou esse auxílio que já não é o suficiente porque não dá pra pagar aluguel, água e luz com R$300, mas até hoje nunca vi esse dinheiro”, denuncia um dos moradores que teve sua casa alagada.

Vazante

Após esse período de cheia constante, já previsto pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), espera-se que o nível do rio comece a diminuir. De acordo com o órgão, abaixo dos 27 metros o nível do rio é considerado patamar normal para a cheia.

Cheias no Amazonas

A cheia de 2021 é a maior desde o início dos registros Foto: Marhia Bessa/ Radar Amazônico

As cheias do Amazonas já são conhecidas pelas suas grandes proporções. Confira agora as maiores cheias já registradas nos últimos anos:

  • 2021 – 30 m
  • 2012 – 29,97 m
  • 2009 – 29,77 m
  • 1953 – 29,69 m
  • 2015 – 29,66 m
  • 1976 – 29,61 m
  • 2014 – 29,50 m
  • 1989 – 29,42 m
  • 2019 – 29,42 m
  • 1922 – 29,35 m
  • 2013 – 29,33 m