No ritmo da torcida, Colômbia goleia o Japão em dia de Mondragón e James

colombia-goleiaNão importava se já estavam classificados. A ausência de titulares também não foi um problema. Cada grito de sua torcida era um combustível extra para a Colômbia não diminuir o ritmo diante do Japão. Enquanto os ”Samurais Azuis” lutavam em uma última oportunidade de permanecer no Mundial, os sul-americanos jogavam como se estivessem em casa. E fizeram de Cuiabá seu salão de festas. Assim como nos dois primeiros jogos da Copa do Mundo, contaram com apoio maciço dos milhares de torcedores que os seguiram até o Brasil. Com gols deCuadrado, de pênalti, James Rodriguez e dois de Jackson Martinez, o time venceu por 4 a 1 e assegurou o primeiro lugar do grupo C. O gol japonês foi marcado por Okazaki.

Quando a vitória já estava assegurada, o técnico José Pekerman ainda teve tempo para uma homenagem especial. Substitui o goleiro Ospina por Farid Mondrágon, levando os torcedores presentes na Arena Cuiabá ao delírio. Aos 43 anos, ele se tornou o jogador mais velho a disputar uma partida de Copa do Mundo.

A Colômbia enfrenta o Uruguai (segundo do grupo D) nas oitavas de final do Mundial. A partida será no sábado, no Rio de Janeiro, às 17h. A outra vaga do grupo ficou com a Grécia, que venceu a Costa do Marfim de forma surpreendente. Os gregos vão encarar a Costa Rica, domingo, em Recife.

A Colômbia entrou em campo classificada, e o Jose Pekerman foi precavido. Pensando nas oitavas de final, poupou quase todo seu time titular em Cuiabá. Além do goleiro Ospina, manteve somente o lateral Armero e o meia Cuadrado. Apoiado pelos gritos de seus torcedores, que mais uma vez pintaram de amarelo um estádio no Brasil, os cafeteros tomaram a iniciativa do jogo, contando com a velocidade de Cuadrado e Arías, principalmente pelo lado direito. Mas o Japão respondia com lançamentos para Honda e jogadas individuais de Kagawa, que dava trabalho aos seus marcadores.

Na arquibancada, a torcida entoava que a a seleção sul-americana jogava de ”local” em Cuiabá. E como ”dona da casa”, trataou de abrir o marcador. O lance decisivo veio num passe de Jackson Martínez para Adrián Ramos, que foi derrubado dentro da área pelo zagueiro Konno. O árbitro assinalou o pênalti e mostrou cartão para o japonês. Destaque dos 11 que estavam em campo, Cuadrado chamou a responsabilidade e bateu com segurança, quase no meio do gol: 1 a 0, aos 16 minutos. Na comemoração, a mesma irreverência dos jogos anteriores. Uma nova dancinha com os companheiros.

A onda amarela das arquibancadas avisava: “Olé, olé, olé, olá! Porque Colômbia vai ganhar”. Mas os japoneses não se intimidaram com os gritos e as olas. Aquela era a sua última chance de continuar no Mundial. Na metade do primeiro tempo, num lance de talento, Kagawa dominou na entrada da área, cortou para a perna direita e obrigou Ospina a fazer grande defesa.

O contra-ataque passou a ser a principal arma colombiana. Em um deles, nos minutos finais, Martínez teve boa chance para ampliar, mas mandou para fora. Na sequência, foi a vez de os japoneses terem a oportunidade de balançar as redes. E Okazaki não desperdiçou. Após bom cruzamento de Honda pela direita, ele mergulhou na área e empatou o jogo no último lance da etapa inicial, aos 46. A esperança dos Samurais Azuis continuava viva.

Homenagem a Mondragón, pintura de James Rodríguez

No segundo tempo, Pekerman colocou James Rodriguez na vaga de Quintero e tirou Cuadrado, dando lugar a Carbonero. Destaque da equipe neste Mundial, James logo deu mais velocidade ao time. Ignorando o fato de estarem classificados, os colombianos continuavam indo ao ataque. Lutando contra o relógio, os japoneses buscavam algum espaço para jogadas ofensivas. Naquele momento, a Grécia vencia a Costa do Marfim, e uma vitória os colocaria nas oitavas.

A Colômbia, no entanto, não tinha nada a ver com isso. Arias, sem compaixão pelos asiáticos, fez bonita jogada pela direita, encontrando James Rodriguez. Com categoria, o camisa 10 deu um passe preciso para Jackson Martinez, que chutou no canto esquerdo do goleiro Kawashima: 2 a 1, aos 10 minutos da etapa complementar.

O Japão estava indo para o tudo ou nada. Chutes longos, lançamentos. A melhor chance veio aos 20 minutos, quando Uchida avançou pela direita e cruzou bem para Okubo, que quase empatou. A investidas japonesas, entretanto, estavam resultando em perigosos contra-ataques colombianos. E foi justamente num deles que acabou de vez com a esperança japonesa. Como se não bastasse o empate da Costa do Marfim, no Recife, Jackson Martinez recebeu disparou, cortou o marcador e ampliou: 3 a 1, aos 37.

A noite era mesmo da Colômbia. Era de homenagem e de um pintura protagonizada por seu camisa 10. Aos 39, Mondragón entrou em campo para se tornar, aos 42 anos, o jogador mais velho a disputar um jogo de Copa do Mundo – o recorde era do camaronês Roger Milla, que em 1994, nos Estados Unidos, entrou em campo com 41. E aos 45 minutos, James Rodríguez encerrou o baile colombiano com um gol de placa. Após receber passe espetacular de Ramos, o meia deixou Yoshida no chão e tocou com categoria por cima do goleiro Kawashima.

Fonte: GE