Rotta cita caso em que bandidos estão assaltando até produtores rurais

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A insegurança pública, que amedronta a população do Amazonas, foi discutida hoje na Assembleia Legislativa pelo líder do PMDB na casa, deputado estadual Marcos Rotta. O parlamentar relata que o Estado vive um período de violência, com constantes assaltos, motins, sequestros e invasões à agências bancárias. Fatos que, para ele, não podem ser atribuídos exclusivamente ao secretário de inteligência, Thomaz Vasconcelos, por exemplo, que foi exonerado do cargo.

“É muito fácil, nesse momento, colocar a insegurança pública sobre responsabilidade de uma única pessoa. Thomaz Vasconcelos está no cargo há muitos anos e porque, só agora, resolveram acreditar que a falta de segurança e essas ondas de violência têm como origem a Secretaria de Inteligência?. Tenho pouco conhecimento das atividades de Thomaz Vasconcelos, mas não acho justo que em um momento delicado para a segurança pública do Amazonas tenhamos esse tipo de comportamento, de colocar sob responsabilidade do secretário, um problema que não é somente dele. Ninguém fica tantos anos em uma mesma função sem que seja um bom servidor público, ou então os que tiveram a oportunidade de removê-lo, não o fizeram por omissão ou por total desconhecimento da ação dele. Agora esperar todos esses anos para dizer que a Inteligência do Estado não funcionou, acho que é uma atitude de se tentar mascarar a realidade da segurança pública no Amazonas”,afirmou Rotta.

O parlamentar relatou ainda que é comum, nas ruas, as pessoas fazerem reclamações sobre assaltos e apelos para que haja mais segurança no Amazonas.

“A feira do produtor rural na AM 010 é assaltada cerca de 7 vezes por mês. Ontem ocorreu mais um assalto e eu fui procurado por um casal de pequenos agricultores, que perderam para os assaltantes, 3 mil reais e mais os documentos. Eles entraram em contato com o Ronda no Bairro e ouviram dos policiais que aquela situação é comum na região. Então a quem recorrer? Registraram no 18º DIP um boletim de ocorrência, mas até agora nada foi feito, nada foi investigado e o que é comum, corriqueiro para algumas pessoas, não pode ser para nós que aqui estamos com a missão de atender a sociedade, sobretudo pessoas humildes”, lamentou.

Rotta também comentou sobre a ação da Procuradoria Regional Eleitoral junto ao TRE.

“Eu nuca vi um aparato governamental tão grande à disposição de uma candidatura, quanto vejo neste momento. Esse é um fenômeno que ocorre no Brasil inteiro. A utilização da máquina do poder executivo em favor dos candidatos à reeleição, chegando a ter perseguições. Várias pessoas me falam que chegam a ser intimidadas, perseguidas em um ato extremo de utilização da máquina em desfavor da democracia. Com sacrifício conquistamos a democracia nesse país, mas algumas pessoas querem impor uma ditadura, não permitindo que a população possa se manifestar de forma livre e democrática. Tanto é verdade, que a Procuradoria Regional Eleitoral entrou com uma ação junto ao Tribunal Regional Eleitoral pedindo a troca do comando. Mas que comando? Onde existe esse comando? A PM hoje tem alguns diferenciais que saltam aos nossos olhos, onde por exemplo, um soldado é tratado como coronel. Soldado da PM manda mais do que coronel, tem mais atenção do poder público, mais penetração na tropa do que os coronéis e o resultado não poderia ser diferente”, relatou o peemedebista.

Apartes

O deputado Marcos Rotta foi aparteado por vários parlamentares durante o pronunciamento. Vicente Lopes (PMDB) reforçou que é contra a reeleição, devido, segundo ele, ao uso comum da máquina pública em candidaturas.

“Não existe nenhum mandatário, no exercício da sua função, candidato à reeleição, que não utilize a máquina pública em benefício pessoal. O critério de igualdade, nesse caso, deixa de existir. É preciso ter limites e o que está acontecendo hoje no nosso Estado é algo que sabemos as causas e sofremos as consequências. Falta comando do Estado no que diz respeito á segurança pública. O aparato policial está sendo utilizado para fazer campanha eleitoral, na polícia e até mesmo na saúde, por parte do gestor que se envolve na campanha eleitoral e parece não se preocupar com as enormes filas e a falta de atendimento nos hospitais públicos. Isso é diminuir a obrigação constitucional que o servidor público tem”, afirmou Lopes.

Wanderley Dallas (PMDB) também concorda que falta comando na segurança e reforça o projeto de levar a religião aos presídios, para minimizar motins.

“O que noto hoje é uma falta de pulso na segurança do Amazonas. Em 2003 o governo sancionou um projeto para que religiosos adentrem as penitenciárias e levem palavras de conforto aos detentos, independente de religião. Isso poderia inclusive diminuir os motins. Hoje eu vejo que falta autoridade para combater esses desmandos. Pessoas estão sendo mortas, rebeliões se tornam comuns e é preciso iniciativas para inibir esses crimes no nosso Estado. O cidadão está apavorado porque não tem segurança, os bandidos estão dominando o Amazonas. Policiais servem para fazer propaganda eleitoral enquanto que deveriam estar nas ruas, cuidando da segurança da população”, lamentou Dallas.

A deputada estadual Conceição Sampaio (PP) também comentou o assunto.

“Estamos vivenciando um momento de terror, porque o cidadão de bem está trancado na sua casa, no seu comércio, sem ter perspectiva de que no dia de amanhã ele estará vivo com sua família. Em qualquer bairro que a gente vá, seja na capital ou no interior do Amazonas, os comerciantes fecham as portas mais cedo, com medo de assaltos. Isso significa que, lá na frente, esse pai de família pode ficar desempregado, porque se no comércio não há segurança, ele não vende e não tem renda. É um problema geral e quero, por meio do vosso pronunciamento, fazer esse grito, porque a Constituição do país assegura o direito de ir e vir, e isso não ocorre na prática”, disse a parlamentar.

Rotta afirma que é preciso ação e atenção das autoridades como um todo para reverter o quadro de insegurança no Amazonas.

“Eu escolhi o Amazonas para viver, amo esse Estado e não me sinto nada confortável utilizando esta tribuna para pedir, em nome de pessoas simples e humildes, um pouco mais de atenção á questão da segurança pública. A sociedade está amedrontada e nós precisamos colaborar para que isto mude, trazendo essas informações, tentando fazer com que o governo enxergue que é necessário repensar tudo sobre segurança pública nesse momento. O Amazonas perdeu o controle da Segurança Pública e nós não podemos ficar de mãos atadas diante desse terrorismo que atinge diretamente a população. Estamos cobrando maior atenção e principalmente maiores ações para que se reverta essa sensação de insegurança que assola a capital e o interior do nosso Estado”, finalizou.